“Columbus” e o poder da fotografia

O nervosismo pode atrapalhar a estreia de qualquer um em uma nova área de trabalho. Em virtude desse sentimento, o projeto corre o risco de não sair como o esperado. Porém, esse não parece ser o caso do então estreante diretor sul-coreano Kogonada, que com muita destreza entrega ao público seu primeiro filme “Columbus”. O longa se passa na pequena cidade de Columbus, em Indiana, conhecida por ser um centro para grandes estruturas modernistas de nomes importantes da arquitetura, como Ieoh Ming Pei, Eero Saarinen e Richard Meier.

Mas antes de falarmos das chamativas construções arquitetônicas da cidade, “Columbus” nos apresenta Jin (Jhon Cho) e Casey (Haley Lu Richardson), dois personagens adversos que se encontram em uma trama ligada por diversos problemas familiares. Jin é filho de um professor respeitado e se vê obrigado a ir à cidade após o pai entrar em coma um dia antes de uma importante palestra. Casey é a jovem nativa que trabalha em uma biblioteca no qual tem que tomar uma decisão crucial que pode afasta-la de sua mãe.

O contraste entre Jin e Casey é a relação que ambos tem com seus pais. Jin, não fala há anos com seu pai, enquanto a personagem interpretada por Haley Lu tem um elo forte com sua mãe. Quando os protagonistas da trama se encontram pela primeira vez, um cercado feito de ferro os separam – acontecendo ali o primeiro envolvimento inusitado entre os personagens. Uma conversa entre ambos vai acontecendo naturalmente e o cercado permanece ali os separando, quando menos se espera a cerca chega ao seu fim, colocando os dois um ao lado do outro. Depois dessa união é que vemos a forma brilhante da direção e do roteiro de Kogonada funcionar.

A capacidade do diretor para criar diálogos não artificiais impressiona. Chega a ser quase tangível a química entre os atores protagonistas. Toda essa interação entre os personagens ainda ocorre em cenários estonteantes. Em “Columbus” não encontramos paisagens convencionais da natureza. Até temos o verde realçado na vegetação, mas o quê deslumbra na fotografia de Elisha Christian são as arquiteturas modernas citadas no segundo parágrafo. Na captura de cada estrutura é notável um enquadramento perfeito, deixando-as maior do que parece. O melhor de tudo é que elas não estão ali para serem apenas elementos do cenário, existem informações delas no dialogo dos personagens, e claro, elas trazem vida a cidade, que é um charme por sinal.

Para um apaixonado por arquitetura, “Columbus” é um filme obrigatório por conta da sua fotografia que transmite e contextua bem o conceito dos prédios com estruturas emblemáticas. Já para o fã de cinema, o filme se torna obrigatório para acompanhar a estreia de um diretor que em um único filme já nos mostrou para o que veio, e com certeza pode vir a dar mais em futuras projeções.

Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.