Me Chame Pelo Seu Nome, de Guadagnino transmite amor, aceitação e respeito ao próximo


Podemos iniciar com uma frase que possui um dos maiores clichês de todos os tempos: O primeiro amor à gente nunca esquece. A frase se banaliza por ser repetida diversas vezes, mas é o primeiro amor que cria marcas e transforma a nossa personalidade emocional. Algo que Luca Guadagnino demonstra através de personagens em sua película “Me Chame Pelo Seu Nome“.

É 1983, “Em algum lugar do norte da Itália”, Elio Perlman (Timothée Chalamet) é americano, judeu e adolescente de 17 anos, filho do respeitado professor Samuel Perlman (Michael Stuhlbarg) que pesquisa sobre cultura greco-romana.

Todo verão, um estudante se hospeda na casa do professor para ajuda-lo, o estagiário da vez é Oliver (Armie Hammer). Com 24 anos, Oliver é ansioso, arrogante e sua aparência se encaixa mais no perfil de modelo do quê historiador.

De inicio, a relação entre Elio e Oliver parece normal entre duas pessoas que acabam de se conhecer. O personagem interpretado por Timothée se ver emprestando seu quarto para o hospede durante o verão. Ambos dividem o mesmo banheiro. Em momentos o envolvimento entre os dois parece de birra. Elio não precisa falar para demonstrar que a presença de Oliver o incomoda.

Na medida em que o filme progride, os personagens começam a compartilhar momentos concretos como: passeios de bicicletas, banhos e um desejo irreconhecível um pelo o outro.

Guadagnino é responsável durante toda direção do filme, principalmente no momento que os desejos de seus personagens começam aflorar. Em nenhum instante enxergamos descuido em relação ao envolvimento dos protagonistas. De fato existe uma diferença de idade, mas o diretor é sutil ao expor essa informação.

Vemos Elio explorando seu libido, seja com uma garota ou até mesmo com uma fruta. Oliver, mais experiente de inicio tenta manter o autocontrole, mas o desejo é maior. Seguindo nessa diretriz, acontece o quê já é esperado. A relação entre Oliver e Elio se torna amorosa. Vale lembrar que tudo é sutil em “Me Chame Pelo Seu Nome“.

A sutileza também é encontrada em sua trilha sonora, que se encaixa em momentos pontuais no decorrer da trama. “Mystery of Love”, produzida especialmente para o filme por Sufjan Stevens é tocada sem exceções.

Tudo que Guadagnino e seus personagens nos ofereceram já poderia considerar CMBYN um filme decente sobre primeira paixão e descobertas. Porém, uma cena, lá no final arremata a película ao topo. Um diálogo repleto de sinceridade entre Samuel e seu filho Elio.

Me Chame Pelo Seu Nome“, de Luca Guadagnino transmite a essência do amor e rompe preconceitos.  Um filme que denota uma lição de aceitação e respeito ao próximo. Sem dúvidas uma projeção que deixará um legado ao passar dos anos.

Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.