O verde e amarelo presentes na 68º edição do Berlinale

O último dia 15 ficou marcado pelo o início do Berlinale, um dos festivais de cinema mais relevantes da temporada. Por ele já passaram filmes como “O Grande Hotel Budapeste”, “Boyhood”, “O Clube” e entre outros. Diretores sempre desejam levar suas projeções ao festival por ser uma vitrine mundial para seus filmes. Quem nunca fica de fora são as produções nacionais.

O Cinema Brasileiro e o Festival de Berlim já tem uma relação consagrada de longas datas. Em todas as edições nossos cineastas levam filmes para o festival. Só ano passado nosso país esteve presente com 12 filmes. Confira alguns deles: “Pendular“, “Mulher do Pai“, “Como Nossos Pais” e “No Intenso Agora“.

Nesse ano não é diferente, quatro produções nacionais e uma coprodução estão presente na 68º edição do Berlinale. “Obscuro Barroco”, “Ex-Pajé”, “Bixa Travesty” e “Aeroporto Central” todos são documentários e fazem parte da Mostra Panorama do Festival. Já na Mostra Competitiva, a única aparição “nacional” é através de “Las Herdeiras”, filme paraguaio que conta com coprodução brasileira. Confira um pouco mais sobre eles logo abaixo.

Bixa Travesty

Com um título provocativo, “Bixa Travesty” é dirigido pelo o mineiro Kiko Goifman e Claudia Piscilla. O documentário aborda o cotidiano da cantora transexual paulista Linn da Quebrada, que desconstrói os conceitos que os “machos alfa” têm de si mesmos. “O corpo feminino trans se torna uma forma política de expressão nos espaços público e privado”, diz a descrição do filme para o festival.

Aeroporto Central

Do brasileiro e cearense Karim Aïnouz, “Aeroporto Central” marca o regresso do diretor no festival. A última vez que ele esteve no Berlinale foi para exibir dois filmes, “Praia do Futuro” e “Catedrais da Cultura“. Ambientado na própria Berlim, “Aeroporto Central” segue a vida do jovem sírio Ibrahim Al-Hussein, que mora, durante um ano, no aeroporto Zentralflughafen Tempelhof. Lá ele fica até descobrir se conseguiria a permissão de residência no país ou se seria deportado.

Ex-Pajé

Ex-Pajé” é escrito e dirigido por Luiz Bolognesi. O documentário conta o drama atual do conflito religioso interno dos povos indígenas, a partir da história de Perpera, um índio Paiter Suruí que viveu até os 20 anos num grupo isolado na floresta, onde se tornou pajé.

Obscuro Barroco

Da diretora grega Evangelia Kranioti, numa coprodução com a França, “Obscuro Barroco” aborda a artista transexual brasileira, Luana Muniz, morta em 2017. Ícone do Rio de Janeiro, Luana viveu em extremos, com conflitos políticos, manifestações artísticas e com a transformação do corpo, que desafiou limites de gênero. É a segunda vez que a artista é tema de documentário. Ano passado, “Luana Muniz: Filha da Lua”, foi produzido pelos cineastas Rian Córdova e Leonardo Menezes.

Las Herdeiras

Dirigido por Marcelo Martinessi, “Las Herdeiras” leva o cinema paraguaio pela primeira vez ao Festival de Berlim. Porém, conta com ajuda brasileira na coprodução. Em “Las Herdeiras” Chela e Chiquita são descendentes de famílias ricas europeias em Assunção e estão juntos por mais de 30 anos. Mas recentemente, a situação financeira piorou e elas começaram a vender seus bens herdados.

A 68º edição do Festival de Berlim se encerra dia 25 de fevereiro, no domingo.

Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.