“007 – Sem Tempo Para Morrer” marca o fim da era Daniel Craig como James Bond de maneira icônica

“007 – Sem Tempo Para Morrer” marca o fim da era Daniel Craig como James Bond de maneira icônica

Em 2006, com Cassino Royale, Daniel Craig se apresentou ao mundo como James Bond propondo novos costumes para o personagem. É inesquecível sua primeira aparição como 007 em uma cena de ação corpo a corpo e com bastante brutalidade. Craig, agora já consagrado por conta dos quatro últimos longa da franquia, chega ao seu último filme no papel do homem que prefere pedir seu martíni agitado e não batido, da maneira mais marcante. “007 – Sem Tempo Para Morrer“, dirigido por Cary Joji Fukunaga oferece uma produção recheada de ação, romance e até mesmo tristeza capaz de nos deixar de coração partido.

“Sem Tempo Para Morrer” tem Bond vivendo seu romance com Madeleine Swann (Léa Seydoux) em uma ilha localizada na Itália. Com o desejo de manter-se nessa vida de calmaria, James esquece que Madeleine tem alguns segredos, e ela se recusa a se comprometer totalmente com ele até que ele se recupere da sua dor por Vesper Lynd (Eva Green), seu grande amor em “Cassino Royale” (2006). Mas um ataque contra o agente faz com que ele desconfie de Madeleine, levando-o o espião abandona-la. Após isso, o espião fica cinco anos distante, e a única pessoa capaz de tirá-lo da aposentadoria é seu amigo Felix (Jeffrey Wright), que chega acompanhado de Logan Ash (Billy Magnussen), oferecendo uma missão em Cuba para resgatar um cientista (David Dencik) que produziu uma arma biológica capaz de matar qualquer pessoa.

Se nos últimos três longas da franquia a primeira aparição de James Bond eram em cenas de perseguição, “Sem Tempo Para Morrer” faz um caminho quase que inverso. Na verdade, a cena de abertura não pertence ao protagonista, e quando ele aparece, tá longe de ser em cena de ação. Calma…os primeiros minutos de filme tem sim a tradicional sequência de perseguição que marcou a era Craig, essa tomada envolve carros e motos correndo pelos degraus de pedra da cidade litorânea italiana já mencionada, um cenário cuja a captura lembra o trabalho de Fukunaga em “Sin Nombre”, o fato curioso aqui, dessa vez Bond é quem está sendo perseguido. Isso é o cartão de visita mostrando que qualquer ação que iremos presenciar nesse quinto episódio vai ser bem dirigida.

Em um roteiro escrito por Fukunaga e com assistência de Neal Purvis, Robert Wade e Phoebe Waller-Bridge conseguimos encontrar diversas características que os tradicionais filmes do 007 implementaram e com um tempo foram “sumindo”, principalmente em 2006 em diante. Por exemplo, aqui os acessórios no Aston Martin estão presentes, funcionam e são utilizados por Bond, seu relógio é um truque na manga que serve para salvar sua vida em momentos de aperreio. Se prepare, essas bugigangas que estamos acostumados em vermos em longas-metragens de espionagens estão existentes e estão sendo usadas sem nenhum tipo de vergonha.

A grande ameaça do filme até um certo ponto ela é desconhecida, e nesse curto período de desconhecimento ela é ameaçadora e consegue atingir todos os objetivos, porém ao ser apresentado fisicamente, “Sem Tempo Para Morrer” tem os mesmos problemas de vilões nada marcantes que as produções antecessores tinham. Rami Malek como Lyutsifer Safin, um terrorista com cicatrizes faciais pretende vingar as mortes de sua família destruindo a organização Spectre, raptando Madeline e Matando Bond por meio de uma arma que espalha um vírus que matam pessoas que compartilham um DNA semelhante. Malik é tão péssimo como vilão que até mesmo a reaparição de Ernst Stavro Blofeld (Christoph Waltz) chega ser mais aterrorizante.

O que temos de melhor aqui são as novas abordagens que surpreendem James Bond.  Todas as mulheres presentes são espertas para os truques de Bond. Esqueçam as Bond girls irrelevantes que são usadas apernas por interesses amorosos de James e que acabam sendo descartadas através da morte. Quase todas as personagens femininas do filme de Fukunaga são relevantes, mas a que consegue tirar o protagonista do sério é Nomi (Lashana Lynch), que mostra para James e os fãs mais saudosistas da franquia que 007 é apenas um número. Ana de Armas, que vive Paloma e ajuda Bond em Cuba tem uma aparição curta, mas excelente e Madeline nem preciso comentar, já que parte da trama gira em torno dos segredos que envolve seu passado.

O estilo de direção de  Fukunaga é notável, ele utiliza uma câmera estagnada e ao mesmo tempo descoordenada. O diretor fez isso em uma sequência de tiroteio na segunda temporada de “True Detective” onde a câmera se movia pelo cenário, conseguindo capturar todos os elementos que estavam participando da tomada. Mais uma vez ele faz isso, agora em “Sem Tempo Para Morrer“,  seja em uma floresta, ou até mesmo em uma escadaria da base do inimigo que Bond tem que enfrentar.

Apesar das quase três horas de filmes, todos os aspectos técnicos conseguem se manter estáveis para manter o espectador bem concentrado a tudo que acontece em tela. Os editores Elliot Graham e Tom Cross conseguem se virar bem ao juntar cenas de diálogos longos, ação, romance e principalmente tristeza. O diretor de fotografia, Linus Sandgren oferece uma diversidades de tons e acaba reunindo composições limpas dos cenários com os tons dos looks dos personagens.

Sem Tempo Para Morrer” encontra seu equilíbrio emocional em seu final. Sua última cena é um dos momentos mais comoventes da história da franquia, humanizando totalmente o personagem e nos deixa de coração pardido. Em meios de tantas trocas de atores para viver o agente mais famosos da história do cinema, Daniel Craig marcou época e talvez seja o ator que criou uma sintonia inesquecível entre ele o personagem. “007 – Sem Tempo Para Morrer” é um final que termina de maneira tão melancólica de um personagem que talvez não encontre um rosto tão marcante como foi o de Craig. Uma coisa é certa, o próximo que pegar o papel terá um trabalho duro pela frente.

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