A nova versão de “Cemitério Maldito” não é tão impactante como seus diretores desejavam

Quando anunciado que alguma obra de Stephen King vai ser adaptada para o cinema, não tem como ficar entusiasmado. Talvez, mais uma adaptação de “Cemitério Maldito” não tenha sido tão empolgante para quem sabe da existência da versão de 1989 dirigida por Mary Lambert, onde existe até uma sequência (1992) comandada pela própria diretora. Já em 2019, o projeto ganhou um remake dirigido pela dupla de cineastas, Dennis Widmyer e Kevin Kölsch.

O enrendo é relativamente o mesmo da adaptação anterior. Louis (Jason Clarke) e Rachel Creed (Amy Seimetz) estão se mudando de Boston para Ludlow com os seus dois filhos, Ellie (Jete Laurence) e Gage (Hugo e Lucas Lavoie), e o gato da família, Church. Sem saberem, a nova propriedade deles abriga um cemitério de animais de estimação. Quando Church é atropelado por um carro, o vizinho Jud (Jhon Lithgow), leva Louis para um local estranho que fica atrás de uma barreira do cemitério para reviver o gato. Mas Jud explica as consequências. Na ocasião em que Ellie é tragicamente atropelada por um caminhão, seu pai, tomado pela dor da perda, se depara com a decisão de: diga adeus e siga adiante, ou leve-a para as terras além do Cemitério Maldito para uma ressurreição assombrosa de sua filha.

 

A projeção de Kölsch e Widmyer pode ser comparada com outros remakes, onde as performances e a execução técnica recebem uma revigorada. Conseguimos encontrar até algum tipo de legitimidade vindo dos diretores, mas também nada de inovador. A dupla encurta a história e centraliza tudo em seus elementos centrais. Por exemplo, o personagem Victor Pascow, vivido por Obssa Ahmed, que falece nos braços de Louis no hospital (Louis Creed é médico), está presente no filme, mas faz breves aparições, servindo mais de alerta sobre as regras do cemitério.

O problema do filme é a falta de relação dos personagens entre si. O personagem de Clarke tem uma boa relação com todos os membros dá família. Da esposa até o gato, mas Ellie, que é uma peça ideal para trama, consegue ter uma relação melhor com o vizinho Jud do que com sua mãe e seu irmão. Todo esse momento de desenvolvimento de personagens é bastante rápido e quase inexistente. É quase certeza que no livro isso seja melhor desenvolvido, mas é algo que só será notado por pessoas que leram.

O arco de Rachel Creed é o mais interessante durante a projeção. Ela sabe da existência do cemitério, porém, não sabe da função dele. Logo, o terror que paira essa personagem, vem do passado, devido à uma perda durante sua infância, no qual aterroriza ela até a vida adulta. O espantoso que a trama em torno dela chega a ser mais aterrorizante do que a do cemitério, que é o principal elemento do filme. 

O elenco em geral do filme é bom. Por ser uma criança, é fácil apontar e dizer que esse é o melhor trabalho de  Jete Laurence até aqui, – a atriz fez parte do elenco de “Boneco de Neve” (2017) – já que ela ainda tem uma carreira pequena. Porém, Laurence convence nas duas fases de Ellie, seja na vida ou na morte. Jason Clarke e Amy Seimetz são os melhores durante toda a película, principalmente Seimetz, devido o que foi dito no paragrafo anterior. Ela entrega uma ótima carga dramática para Rachel, mas, querendo ou não, todo esse drama segue como segundo plano durante boa parte do projeto.

 

John Lithgow como Jud é a balança ideal para o clímax do filme. Se ele se sente empolgado com tudo que envolve o cemitério, ao mesmo tempo ele teme os acontecimentos. Em relação ao gato, Church é um elemento mais forte e atrativo por renascer e se comportar de maneira estranha. 

Os diretores utilizam a mesma formula já vista nos filmes de gênero de horror para criar uma atmosfera nos momentos de terror, mas você já sabe o que vem em seguida. Um susto. Dentro desse padrão de criar terror de uma maneira repetitiva, Widmyer e Kölsch são bem sucedidos.

 

Infelizmente, muitas das ideias da dupla se perdem nos momentos finais da projeção, pois “Cemitério Maldito” se transforma em algo cômico por querer causar, no entanto, parece mais uma piada do que o soco no estômago que os diretores queriam proporcionar aos seus espectadores.

Sendo uma adaptação que não é inteiramente fiel, as mudanças não afetam os elementos de “Cemitério Maldito“. No final, o filme não se trata sobre a incapacidade de superar a dor de perder um ente querido, “Cemitério Maldito” é sobre a dor de ter que viver com a ausência desse ente. No filme, há como enganar essa dor, já na vida real, não.

Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.
Marcus Barreto

Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.

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