Projetos engavetados sempre podem ser considerados como um ponto de interrogação imenso. Existem filmes que estão na geladeira que temos a curiosidade de assistir e tem outros que nem deveriam sair de lá, mas acabam saindo sem entendermos o motivo. “Ameaça Profunda“, dirigido por William Eubank está no meio termo. O filme se libertou e veio a público com Kristen Stewart como protagonista, no momento em que a atriz vive uma das melhores fases de sua carreira. 

Depois que um terremoto destrói a estação subaquática, seis pesquisadores precisam se deslocar três quilômetros ao longo das profundezas do fundo do oceano para garantir sua segurança. A equipe é composta por Norah Price (Stewart), o capitão (Vincent Cassel), Paul (T.J. Miller), um casal vivido por Jessica Henwick e John Gallagher Jr. e Rodrigo (Mamoudou Athie). 

O diretor não economiza quando o assunto é criar tensão. Nos minutos iniciais de sua película, vemos Norah tendo um momento reflexivo através de uma narração enquanto escova os dentes. Logo em seguida, tudo desmorona em sua cabeça. A principio tudo explodindo na tela  logo no começo do filme pode causar estranheza, mas vejo como uma boa alternativa para se iniciar uma catástrofe.  Nunca sabemos quando algo do tipo vai acontecer, e ele apenas acontece. Com isso, algo que Eubank nos poupa é a apresentação de personagem. As características e as personalidades deles vamos descobrindo no desenrolar da projeção, mas a motivação de todos é única, sobreviver. 

Até um determinado momento, “Ameaça Profunda” pode ser considerado como um projeto ambicioso e interessante.  Enquanto o filme está em um ambiente interno, ele é bem filmado, tendo movimentos de câmera bem estilosos no qual cortes são evitados, mas em determinado momento, sua edição o danifica, parecendo que a trama dá um pequeno salto no tempo, onde dá a sensação que as cenas foram avançadas por um controle remoto. Sua trama se manteria em alto nível se ela continuasse com sua primeira proposta, que era fazer o  grupo conseguir sair dos escombros da base até uma superfície segura. Toda essa luta de sobrevivência é bem implementada, vemos os personagens passando por lugares apertados e mergulhando em encanações e tudo isso é filmado de maneira que cause uma reação claustrofóbica em quem está assistindo. 

Ameaça Profunda” começa perder forças narrativa quando Norah e o restante dos pesquisadores colocam o plano de sobrevivência em ação. Para isso, é preciso que eles caminhem pelas águas profundas. Isso faz com que o filme enfraqueça. Na locomoção, eles acabam descobrindo uma nova espécie marinha, no qual não é nada inofensiva e identificável, já que a fotografia escura de Bojan Bazelli não permite enxergarmos nada do que está acontecendo. É nesse aspecto que o filme tenta se assemelhar aos longas “O Enigma do Horizonte“, “DeepStar Six” e até mesmo  a franquia “Alien“, mas não chega nem perto do que essas obras representam. 

Falando em Alien, uma das principais razões para ver “Ameaça Profunda” é Stewart fazendo um papel semelhante e com muitas referências a personagem de Ellen Ripley. Exemplo disso, seria a cena de roupa intima similar com a de Sigourney Weaver, em o “Oitavo Passageiro“. Acompanhado disso, temos Cassel sendo brilhante como de costume e T.J. Miller fazendo o seu mesmo trabalho de forçar piadas em momentos para quebrar o suspense. 

Definitivamente, o filme de William Eubank consegue oferecer uma parcela de tensão com a metade dos seus 95 minutos, no entanto, ele acaba sendo um longa-metragem no qual o espectador vá ter interesse de assistir uma única vez e nunca mais querer revisitar, para um começo de ano sem muitas opções de blockbusters em cartaz, “Ameaça Profunda” se credencia como uma boa alternativa por ter uma trama misteriosa partindo do gênero de horror.


Publicado por Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.