“Midsommar”: Aris Aster aposta em terror à luz do dia em novo longa

Embalado pelo sucesso absurdo de “Hereditário” (2018), Ari Aster, gerou uma expectativa bem acima da média quando afirmou que estava prestes a estrear seu segundo filme.  Mais uma vez dentro do gênero de horror, o diretor nos apresenta seu segundo projeto, “Midsommar“, no que se refere ser ambicioso, esteticamente satisfatório e ao mesmo tempo estranho.

Dani (Florence Pugh) se encontra em um estado de carência, no qual ela sacia esse sentimento em Christian (Jack Reynor), seu namorado há quatro anos, que não retribui os afetos que recebe, e que não tem coragem de pôr um fim na relação, apesar dos conselhos do amigo inconveniente Mark (Will Poulter). Quando ele está decidido a romper, uma tragédia na família de Dani evita o término, onde obriga Christian confortar sua parceira. Tendo atenção só para os seus interesses pessoais, ele planeja viajar para Suécia com os seus amigos Mark e Josh (William Jackson Harper), onde a intenção é conhecer o vilarejo que Pelle (Vilhelm Blomgren), um estudante sueco vive no seu país de origem.

Logo então Dani descobre que não está convidada, mas ela acredita que a viagem lhe fará bem. Em uma Suécia ensolarada, onde quase não existe noite, a visita na terra de Pelle vai do conto de fadas ao inimaginável. O que aparenta ser um festejo harmônico, afetivo e bonito, se converte em algo terrível e assustador.

O longa-metragem de Ari Aster gira em torno dessa premissa: Um grupo de jovens que viajam para se divertir e que acabam sendo surpreendidos com alguns acontecimentos estranhos. Bem… isso parece familiar, não é mesmo? O roteiro, escrito pelo o próprio diretor não tem vergonha de começar o filme com algo que não é inovador, mas ele se transforma, apresentando “novas” abordagens.

A maneira que Aster enxerga o luto agrada. Em “Midsommar” ele volta a repetir esse temática de forma mais rasa através de Dani, mexendo com o psicológico da protagonista. Além disso, o diretor prefere adicionar e se aprofundar em um assunto que vem sendo discutido atualmente na sociedade, que são as relações abusivas.

O abuso físico não existe no longa, mas o mental está presente cena após cena. Uma relação dessa nunca se assume abusiva, e a projeção aborda da forma menos descarada possível – o que nos faz duvidar da presença dessa ação e de que personagem parte. Se realmente é de Christian ou de Dani, já que no começo ela sofre com os picos de carência. 

Embora isso esteja entranhado na trama, o fator mais interessante vem do festival que ocorre na vila. Como não estamos familiarizados com o que está ocorrendo na tela, o personagem de Pelle serve para explicar, porém, há coisas que ao serem explicadas não fariam sentido, então ele prefere não contar tudo que vai ocorrer e deixa seus amigos e até mesmo quem está assistindo presenciar com os próprios olhos o desfecho de algumas cerimônias, como a sequência do penhasco.

Certas vezes as idéias conectivas de morte e renascimento que o cineasta tenta discutir por meio do festival acabam tornando o evento sobrecarregado, com esse excesso de temas que a película possui. Notamos que ela se arrasta e nos faz sentir as suas duas horas e alguns minutos de duração. É impressionante como o festejo tem uma aliança com o filme e oferece algumas façanhas que a projeção possui, como a trilha sonora desenvolvida por Bobby Krlic, que é cantada e dançada na festividade.

Devemos ressaltar que “Midsommar” é primorosamente bem dirigido. O longa vai de planos sequência mais duradouros a planos bem abertos para mostrar a grandeza da locação. A fixação de Ari Aster em deixar pistas através de símbolos continua presente e o design de produção desenvolvido por Eszter Takács e Henrik Svensson é impecável. Na questão de encenação, quando a cena é mais contida, Florence Pugh tem um destaque acima de qualquer outro, nos recordando do desespero e o choro de Toni Collete em “Hereditário“.

Como uma película que tem a função em discutir relações humanas, “Midsommar” tem uma análise interessante sobre o tema, que retrata de certa forma os sentimentos que experimentamos após um rompimento e como tendemos a ficar com alguém só porque achamos que precisamos daquela companhia para nos fazer sentir completos. Já como terror, ele pode decepcionar uns e outros, já que ele não se propõe a dar medo, mas sim constrangimento. Vale ressaltar que ele chega a ser engraçado em alguns instantes, mas não se deixe enganar, o gore também está presente aqui.

Esse segundo longa-metragem de Ari Aster deve ser considerado como admirável e ousado, justamente por levantar questões que não esperávamos encontrar no gênero de horror. São dois anos consecutivos que esse jovem cineasta vem trazendo algo diferente para o terror – há quem diga que seja inovador, já eu gosto de enxergar o atual momento que o gênero vive, sem ignorar o que foi feito no passado. Porém, vale a pena acompanhar os passos de alguém que ousa trazer um outro tipo de linguagem. Agora, Aster já pode se aventurar em uma nova categoria de filmes para saber o que vai acontecer.


Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.

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