“Assume Form” é James Blake em seu ciclo mais otimista

Aos 30 anos de idade, James Blake acomoda uma quantidade considerável de trabalhos já desenvolvidos. Entre três álbuns completos, vários EP’s, e participações relevantes em discos como “Lemonade” de Beyoncé, e “ASTROWORLD“, de Travis Scott, Blake transita bem entre os projetos que está envolvido. Mas nenhum, até então, se mostrou tão híbrido quanto seu mais novo álbum de trabalho, “Assume Form“. Autoexplicativo em seu título, o britânico opta pela primeira vez refletir por um viés positivo da vida, levando em consideração seu contexto atual afetivo. Entre inseguranças, apego e a paixão, Blake proclama seu amor por Jameela Jamil – estrela da série “The Good Place” – da maneira mais humana possível.

Procurando se dissociar da razão e buscando o sentimento, o músico aventura-se em uma linda caminhada de auto conhecimento. “Eu vou assumir a forma, eu vou estar fora da minha cabeça desta vez“, diz James no refrão da faixa-título, explanando que daqui por diante suas atitudes revelaram um lado bem menos sombrio da faceta melancólica de um compositor que carrega esta característica desde seu primeiro álbum homônimo. Essa atitude é primordial para que esta obra funcione de maneira particular, quebrando as expectativas dos fãs – entretanto, em consequência disso, é inevitável que o processo de andamento do disco se torne um pouco anticlimático. Mas veja bem, James Blake tenta algo novo aqui, tentando deixar de lado o que uma vez já funcionou e bastante em seu começo de carreira, e construindo um novo tipo de ambientação focado muito mais em algo sortido e mudado.

Com grande força lirica e vocais marcantes, há um conjunto de possibilidades aqui que fornece ao cantor uma miscelânea cativante de texturas enquanto ao seu som. Se antes Blake trabalhava muito encima do trip-hop e o dubstep, aqui ele abrange ainda mais criando novos segmentos pra sua sonoridade, atraindo é claro convidados como Andre 3000, Travis Scott, o produtor Metro Boomin, Rosalía e Moses Sumney. Colaborações essas que se encaixaram muito bem a proposta designada aqui, apostando em um desenvolvimento de um álbum mais eclético e acessível ao grande público. Isso mostra o quanto bem conciso foi a forma como este novo registro foi projetado, pensando bem em como o r&b e o rap poderiam se alocar de maneira insigne neste disco.

Uma coisa você pode ter certeza, a experiência proporcionada aqui lhe causará estranheza no começo, afinal acompanhamos desde 2011, a saga intimista de um compositor muito certo de sua realidade enquanto ser-humano. Não é que isso tenha ficado no passado, afinal em faixas como “Where’s the Catch?“, “Don’t Miss It” e “Tell Them” há uma transparência absurda da insegurança que James e todos que estão em um relacionamento devem sentir constantemente. Mas o oposto disto, em faixas como “Can’t Believe the Way We Flow“, “Barefoot in the Park“, “Are You in Love?” e “Into the Red” descarregam uma carga otimista emocional nunca vista antes pelo cantor. É como se pela primeira vez, o britânico pudesse vislumbrar e valer-se de fato do que é o amor em toda sua complexidade.

Assume Form” é sem duvida, um dos trabalhos mais completos de James Blake até aqui. Em suas inconstâncias e suas inseguranças, acompanhamos aqui a trajetória de um músico que ao falar sobre algo tão clichê, destrincha delicadamente tudo que aquilo representa e faz um belíssimo disco sobre nos deixar levar e apenar viver.


Flávia Denise

Jornalista & Music nerd. ;)

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