Apesar das cenas de ações bem coreografadas, “Trem-Bala”, de David Leith possui um roteiro descarrilhado

Apesar das cenas de ações bem coreografadas, “Trem-Bala”, de David Leith possui um roteiro descarrilhado

Poderíamos dizer que existe um novo modelo para filmes de ação, que seria essa ação mais frenética que vimos presente na franquia John Wick, “Atômica”, Deadpool 1 e 2, o recente “Ninguém” e entre outros. Entretanto, essa ação mais estilizada, que não poupa sangue e desmembramentos não é nenhuma novidade para o gênero. Quentin Tarantino já nos apresentou isso há anos, e o próprio foi mais contido em relação a esse estilo, pelo menos é o que acontece em “Era uma Vez em… Hollywood”, último longa dirigido por ele. Os cineastas insistem nesse modelo, alguns ´desses filmes dão certo porque vem acompanhados de um bom enredo, já outros possuem apenas cenas de lutas bem coreografadas que não passam disso. O filme da vez que bebe dessa fonte é “Trem-Bala”, de David Leitch que conta com o protagonismo de Brad Pitt. Em primeira análise, posso dizer que a produção entrega em boa qualidade o que se propõe em fazer: uma ação estilizada.

O roteiro escrito por Zack Okewicz para “Trem-Bala” reúne uma variantes de personagens descolados, a bordo de um trem, um deles é Ladybug (Brad Pitt), sua missão é simples: embarcar no trem em Tóquio, andar pelos os os seus 16 vagões em busca de uma maleta específica e descer na próxima parada, ele precisa fazer isso rapidamente porque o trem para apenas um minto em cada estação. Porém, ele não é o único abordo que está em uma missão. Há a dupla Limão e Tangerina acompanhados do filho de alguém muito poderoso, outro assassino contratado que responde por Hornet (Zazie Beetz) e Kimura (Andrew Koji), que está tentando encontrar a pessoa que empurrou seu filho de um telhado, e Prince (Joey King), que apesar de ter o rosto de menina indefesa, é bem perigosa. Além disso também tem uma cobra venenosa solta andando pelo o trem.

O filme de Leitch possui um número significativo de personagens, e todos possuem um grau de relevância para trama, apesar do personagem do Pitt ser o principal por rações obvias, os secundários aqui tem seu arco e tempo de tela necessário, entretanto todas as subtramas nos levam a trama principal. Lendo assim parece confuso, mas é o que acaba sendo, confuso o bastante para contar uma simples história, no final das contas, o que vale mesmo são as cenas de ação.

Notoriamente foi necessário fazer um malabarismo para amarrar todos os enredos que acontecem na tela e que mesmo assim acabam ficando inexplicáveis. Coincidentemente os 16 vagões estão praticamente vazios quando precisam estar, tripulação quase não existe aqui, caso tivesse, os corpos ou destroços poderiam ser encontrados, além do mais, não existe aquele “clichê” de reféns, o filme junto com os personagens não estão preocupados com coisas do tipo.

Por mais que Brad Pitt seja o rosto mais familiar aqui, nem tudo é sobre o seu personagem, para ser sincero, o personagem de Pitt está longe de ser o protagonista que é capaz de ter soluções para tudo, ele pode até resolver, mas a tarefa sempre é árdua. Ele possui uma característica bem peculiar que raramente conseguimos encontrar em protagonistas de filmes de ação, literalmente Ladybug tem azar, onde tudo, ou quase tudo dar errado. Joey King é a menina má e sua performance está desenvolvido através da ingenuidade que sua aparência transmite. A voz da Sandra Bullock está sempre presente através de ligação. Existe algumas participações especiais de dois atores no qual o grande publico curte baste, então é bom manter em segredo para não acabar com a surpresa.

Sem poupar elogios, literalmente as cenas de ação jogam o longa-metragem de Leitch lá para cima, por mais que essas coreografias todas não sejam nenhuma novidade, é sempre bom ver cenas de lutas bem dirigidas onde os cortes da edição não influenciam na briga. Existem cenas de improviso, mas há uma que envolve espadas de samurais que é realmente bem agradável.

A estrei de David Leitch como cineasta foi lá em 2017 com “Atômica”, um sucesso absoluto que fez ele dirigir a sequência de Deadpool. “Trem-Bala” recaptura exatamente a energia desses seus dois trabalhos citados. Esse novo projeto do diretor por ter um elenco bem estrelado, poderia/deveria ser mais ambicioso e fazer algo marcante para o gênero, entretanto esse longa não passa de algo comum onde pode ser satisfatório assistir em uma tarde de domingo, quando você não quer que um filme exija da sua capacidade de interpretação.

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