“Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” é eficiente ao que se propõe em fazer

“Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” é eficiente ao que se propõe em fazer

Passado quase quatro anos da estreia do trágico “Esquadrão Suicida“, dirigido por David Ayer, além do Oscar de Melhor Maquiagem e Penteado, outro legado positivo que o filme deixou foi a personagem da Arlequina, vivida por Margot Robbie. Com uma boa aceitação do público, a Warner Bros decidiu agraciar os fãs com “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa“, dirigido por Cathy Yan.

Depois do seu rompimento com Coringa, Arlequina (Margot Robbie) se vê sendo perseguida por todos que ela já fez algum mal. Mas “Aves de Rapina” vai além do que a temporada de caça pela protagonista. A trama do longa-metragem está voltado para a recuperação de um diamante, após uma jovem ladra obtê-lo (Cassandra Cain interpretada por Ella Jay Basco). Seja Renne Montoya (Rosie Perez), uma detetive de polícia de Gotham City, uma assassina atrás de vingança (Mary Elizabeth como Caçadora) ou até mesmo uma cantora que se viu trabalhando involuntariamente para bandidos (Jurnee Smollett-Bell como Canário Negro), todos os caminhos levam a joia que pertence ao sádico Máscara Negra (Ewan McGregor), e ele a quer de volta.

A direção de Cathy Yan começa com uma animação recontando a origem de Harllen Quinzel, relembrando os eventos de “Esquadrão Suicida” e finalizando com o começo da história que estamos prestes a assistir, onde o coração de Arlequina está partido pelo o termino do seu relacionamento. Dito isso, o que vemos na tela é Margot Robbie se divertindo ao fazer uma personagem que ela conseguiu transformar em febre mundial. Robbie nasceu para ser Arlequina.

O filme está longe de ser original no que ele se propõe em fazer, mas aparentemente tudo funciona como Yan deseja. Parecendo mais com um festival de pop-art, tendo tinta colorida, glitter, batom, neon e até mesmo sangue, podemos dizer que “Aves de Rapina” ou essa emancipação da Arlequina (como o próprio título diz) não se cala um segundo, já que em determinados momentos quando ela não está em cena, ela participa oferecendo uma narração em off, podendo até ser comparado (nesse sentido) com um outro filme de um anti-herói de quadrinhos bem falastrão. Outra característica que funciona bem é a ação, sendo bastante convincente ao ponto de acharmos que dublês nem se quer  foram utilizados. 

“Aves de Rapina” é projetado como uma grande diversão, graças ao seu elenco que está bem envolvido com o projeto, exemplo de McGregor como Máscara Negra sendo um dos grandes pontos altos do filme. Entretanto, vale dizer que o longa se mantem instável em relação ao seu caminhar, com uma utilização excessiva de flashbacks. 

O filme tem uma estrutura tão similar como qualquer outro do subgênero de heróis. A sua diferença é que ele reflete bem as particularidades de sua protagonista, que no final das contas acaba sendo mais uma película sobre ela do que o grupo Aves de Rapina. A motivação para reunir o grupo acaba sendo por a caso, sem precisar ser aquela coisa que estamos acostumados a ver: Estou construindo uma super-equipe para derrotar um super-vilão. 

Tenho absoluta certeza que o público feminino deve abraçar o longa-metragem, já que ele coloca inúmeros homens sendo espancados por algumas mulheres e alfineta o machismo que a sociedade impõe sobre o gênero feminino. Exemplo disso é a excelente piada com Bruce Wayne sendo bichinho de estimação da Arlequina.

Para ser sincero, não conhecia o trabalho de Cathy Yan, mas me surpreendi com sua direção eficiente e direta ao seu público. Um dos fatores mais agradáveis disto, é permitir que a partir de agora Arlequina se mantenha ainda mais distante do Coringa, principalmente da versão vivida por Jared Leto, já que o estúdio decidiu evitar a presença dele aqui. “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” tem um resultado bastante satisfatório, oferecendo um mar de novas histórias para a protagonista e sua equipe.


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