Cinema Nacional além de “Bacurau” e “A Vida Invisível” em 2019

Cinema Nacional além de “Bacurau” e “A Vida Invisível” em 2019

De fato, “Bacurau“, da dupla Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles e “A Vida Invisível“, de Karim Aïnouz foram os principais títulos que o cinema nacional nos ofereceu esse ano. Nós assistimos, e como não poderia ser diferente, as duas projeções agradaram a todos do site. Mas como somos orgulhosos e erguemos a bandeira do cinema que é produzido em nosso país, decidimos ilustrar por meio desse texto que o ano de 2019 foi muito além de “Bacurau” e “A Vida Invisível“. Reconhecemos todo o sucesso das duas projeções, mas é preciso mostrar que a produção de audiovisual no Brasil vai mais adiante do que dois projetos, e que todo ano filmes de alta qualidade estão sendo produzidos em terras tupiniquins.

Para começarmos, nada melhor do que dá o primeiro destaque para o cinema que foi produzido no Ceará.  O cinema cearense nos rendeu dois longas-metragens no qual podemos nos orgulhar. “Greta“, dirigido por Armando Praça, que teve a felicidade de ter sua primeira produção premiada como melhor longa no Cine Ceará 2019 e “Pacarrete“, de Allan Deberton, que conquistou o festival de Cinema de Gramado. O primeiro conta a história de Pedro, um enfermeiro homossexual de 70 anos, fã fervoroso de Greta Garbo, que decide ajudar Jean, um jovem que acaba de ser hospitalizado e preso por cometer um crime. Ele o esconde em sua própria casa até que ele se recupere. Essa relação será essencial para Pedro, mas também causa mudanças surpreendentes em si mesmo e na maneira como lida com a solidão. Já o segundo é sobre Pacarrete, uma professora de dança mal-humorada aposentada que vive em Russas, uma pequena cidade do estado cearense. Ela sonha voltar a se apresentar em um espetáculo de dança para toda cidade. Perto de realizar esse sonho, ela terá que superar alguns obstáculos ao longo do caminho. Vale lembrar que “A Vida Invisível” também é dirigido por um cineasta cearense, onde foi bastante homenageado no Cine Teatro São Luiz, palco da 29º edição do Cine Ceará.

“Pacarrete” de Allan Deberton

Partindo para Minas Gerais, o cinema mineiro também foi bastante efetivo em sua produção. Dirigido por Gabriel Martins e Murílio Martins, “No Coração do Mundo” apresenta Marcos (Leo Pyrata), que comete pequenos crimes diariamente. Quando reencontra Selma (Grace Passô), uma antiga amiga, ele se convence da possibilidade de executar um assalto bem-sucedido. Mas o plano só pode ser colocado em prática com a ajuda de uma terceira pessoa, e Ana (Kelly Crifer), namorada de Marcos, hesita em participar. Vindo também da terra do pão de queijo, “Temporada“, de André Novais Oliveira nos apresenta Juliana (Grace Passô)  que está saindo de Itaúna, no interior de Minas Gerais, para morar em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Seu novo emprego, em que ela combate endemias da região, cria situações pouco usuais e apresenta a ela pessoas novas, que começam a mudar sua vida. Se adaptando à nova rotina, ela enfrenta dificuldades no relacionamento com seu marido, que também vai para a cidade grande. Para quem ficou interessado, o filme se encontra no catálogo da Netflix.

Outro que segue essa reamada de está na Netflix, é o documentário “Democracia em Vertigem“, da cineasta Petra Costa. Esse não passou despercebido pelo público, já que ele foi exageradamente indicado em redes sociais. O doc é exatamente um testemunho a ascensão e queda de um grupo político e a polarização do Brasil. Além do mais, a produção está na lista de pré-indicados ao Oscar 2020, na  categoria melhor documentário. Outra novidade do nosso cinema esse ano foi a adaptação da história em quadrinhos “Turma da Mônica: Laços“, de Daniel Rezende. A produção nos apresenta a turma mais famosa do quadrinho nacional, Cebolinha, Cascão, Mônica e Magali se reunindo para encontrar o cachorro Floquinho.

“Democracia em Vertigem” de Petra Costa

Infelizmente não tem como descrevermos todos os filmes que nossos cineastas produziram esse ano, mas vamos indicar uma lista (longe de ser completa e definitiva) no qual onde todos os citados tiveram uma contribuição significativa para o audiovisual nacional.  Que no próximo ano o cinema brasileiro continue rendendo bons filmes, e que ele caminhe distante da nuvem negra que persegue e que pretende acabar com sua constante ascensão. Vamos ao que interessa e viva ao cinema brasileiro!


“Seus Ossos e Seus Olhos”, de Caetano Gotardo
“Bixa Travesty”, Kiko Goifman de Claudia Priscilla
“Chorão: Marginal Alado”, de Felipe Novaes
“Marighella”, de Wagner Moura
“Simonal”, de Leonardo Domingues
“Minha Fama de Mau”, de Lui Farias
“Deslembro”, de Flávia Castro
“Hebe”, de Maurício Farias
“Mormaço”, Marina Meliande
“Azougue Nazaré”, Tiago Melo
“A Sombra do Pai”, de Gabriela Amaral Almeida
“Tito e os Pássaros”, de Gustavo Steinberg, André Catoto e Gabriel Bitar
“Chão”, de Camila Freitas
“Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos”, de João Salaviza e Renée Nader Messora
“Indianara”, de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa

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