Damien Chazzele traça novo e excelente rumo a sua carreira em “O Primeiro Homem”

O Primeiro Homem“, dirigido por Damien Chazelle poderia ser um convite para tirarmos conclusões precipitadas sobre o longa-metragem. Todos nós já sabemos como o filme vai terminar. Isso é um fato! Porém, em seu terceiro trabalho mais conhecido, o jovem cineasta não está interessado apenas em nos contar a jornada do homem à lua. Definitivamente Chazelle nos coloca imerso nela.

A película se trata sobre a vida do astronauta Neil Armstrong e a histórica missão espacial que o levou a ser o primeiro homem a pisar na lua, em 20 de julho de 1969. O filme toma como base o livro homogêneo de James R. Hansen.

 

A abertura de “O Primeiro Homem” é enlouquecedora. Logo de cara nos deparamos com Neil, interpretado por Ryan Gosling, em um voo que beira à atmosfera, algo que não estava planejado na missão. A construção da cena nos faz pensar que tudo que está acontecendo diante dos nossos olhos pode ser um sonho do protagonista. O som é ensurdecedor, o momento se torna claustrofóbico por conta dos planos irem se alternando para primeira pessoa, e com isso, cria a sensação de estarmos no local do piloto.

Neil é um sujeito frio, que vive em seu interior. Gosling domina esse tipo de interpretação, já que está acostumado com protagonistas do tipo. Basta lembrarmos de Blade Runner 2049 e Drive. O isolamento do protagonista vem da dor após uma perca pessoal que acontece nos primeiros minutos do filme, além disso, ele está sujeito a conviver continuamente com as mortes dos seus colegas de trabalho. Falecimentos esses que serviram para que sua viagem à lua fosse bem sucedida.

A questão de relacionamento talvez seja o maior problema do longa. Boa parte dos relacionamentos do filme são ligeiros. Primeiro, é difícil não estranhar como Neil se comporta diante de sua família, e mesmo ele se importando com seus companheiros de trabalho, a forma que suas amizades foram construídas estão longe de serem convincentes. A esposa, Jan Armstrong (Claire Foy) é a única que consegue ter uma relação mais concreta com o protagonista.

Depois de duas temporadas bem sucedidas em “The Crow“, Claire Foy vem se mostrando uma atriz de elite. Graças a série, a britânica vem conseguindo protagonismos em alguns longas, e aqui é bem destacado a influência que ela tem durante a trama.

O Primeiro Homem” não conta a importância da operação que levou o homem à lua. É fácil sabemos que uma missão que durou oito anos (1961-1969) tenha sido importante. Nós, espectadores, estamos sempre próximos do rosto de Gosling, seja por trás de uma viseira ou não. O intuito de Chazelle de nos colocarmos na viagem fica claro a cada plano.

Damien Chazelle e Ryan Gosling agora são parceiros. Podemos considerar que atualmente o cineasta é o maior contribuinte na carreira do ator. Espera-se que essa parceria não acabe, porque os dois entregam o melhor um para o outro. Um terceiro filme juntos seria bem-vindo por ter dois trabalhos bem consagrados.

Linus Sandgren, o diretor de fotografia cria grandes momentos filmados que se alternam entre 16mm, 35mm e 70mm. Seu trabalho oferece genuinidade ao designe de produção. Outro trabalho técnico impecável é do editor de som, Tom Coss, que já tem parceria de longa datas com Chazelle. Junto com o diretor, eles ditam o ritmo do filme através do som. As composições de Justin Hurwitz também contribuem para que à sonoridade do filme seja memorável.

O Primeiro Homem” se encaixa perfeitamente como um filme patriótico. Chega ser notável os inúmeros balanços da bandeira americana no decorrer da projeção. Além do mais, é um filme que conta uma conquista dos Estados Unidos. Mas uma coisa é certa, a missão Apollo 11 pode ter sido um sucesso, mas está marcada por muitos fracassos. Por conta de inúmeras mortes.

Talvez esse era o momento em que todos esperavam para entender melhor quem é Damien Chazelle. O cineasta nos foi apresentado com o “Whiplash” (2014), logo após, em 2017 levou o Oscar de melhor diretor por “La La Land“. Dois filmes bem sucedidos, mas o questionamento nunca foi sobre o seu talento, e sim de querer presenciar um trabalho dele que fosse diferente. Quase não há semelhanças nesse filme com as duas últimas projeções do diretor, é impossível dizer que “O Primeiro Homem” é do mesmo cara que dirigiu “Whiplash” e “La La Land“.

Próximo ao final do filme, nos deparamos com a seguinte frase: “Este é um pequeno passa para o homem, mas um grande salto para a humanidade”. Podemos fazer uma alusão com a carreira de Damien Chazelle. Só o tempo dirá à relevância de “O Primeiro Homem” para o cinema, mas, até então, o longa se torna um grande salto para a carreira de seu criador.

Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.