David Gordon Green repete a visceralidade em “Halloween Kills: O Terror Continua”

David Gordon Green repete a visceralidade em “Halloween Kills: O Terror Continua”

Após os acontecimentos de “Halloween” (2018), de David Gordon Green, a cidade de Haddonfield ainda se encontra na noite de Dias das Bruxas, Michael Myers voltou trazendo alguns assassinatos e principalmente pânico para Laurie Strode. Isso tudo para revitalizar a franquia de John Carpenter. A sequência “Halloween Kills: O Terror Continua“, chega sem se preocupar se você recorda de alguns fatos que aconteceram no último longa ou até mesmo nas produções mais antigas de Carpenter, já que Green oferece alguns flashbacks para te ajudar lembrar, mas a única coisa que você não pode esquecer é que Myers segue sendo invencível.

O pesadelo não acabou quando o assassino imparável Michael Myers escapa da armadilha de Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) para continuar sua chacina. Ferida e levada para o hospital, Laurie luta contra a dor enquanto inspira os residentes de Haddonfield, a se rebelarem contra Myers. Fazendo justiça com as próprias mãos, a família Strode composta por apenas mulheres e outros sobreviventes formam uma multidão de vigilantes para caçar Michael e acabar com seu reinado de terror de uma vez por todas.

O tradicional formato de toda sequência de Halloween é começar a continuação exatamente do ponto que terminou o antecessor. Ao invés de ser dessa forma, Green decide seguir outros trilhos e oferece os primeiros minutos da sua segunda projeção de maneira promissora. Lógico que esse filme ainda se trata dos eventos de 2018, então nada mas justo iniciar naquela noite com um personagem bastante secundário encontrando o policial Frank Hawkins (Will Patton) ferido. Logo adiante voltamos no tempo, na noite do dia das bruxas de 78 com o jovem Hawkins (Thomas Mann) vendo seu parceiro ser mais uma vitima de Michael, tendo um pouco de influência no que aconteceu e transformando isso em um drama pessoal. Toda essa introdução relembra bem o clima do primeiro longa-metragem da franquia, homenageia o icônico personagem Dr.Loomis (Donald Pleasence), mas também conta com a breve participação do promissor cineasta/ator Jim Cummings, um verdadeiro deleite para quem está mais atento ao cinema independente.

Esse e outros flashbacks também servem para descobrirmos o verdadeiro motivo da vingança pessoal de Hawkins contra Michael e além disso nos lembra quem mais foi afetado pelos assassinatos originais quando criança. Podemos considerar que isso é uma bela sacada do roteiro, já que em vida real uma criança ficaria traumatizada se vivesse algo parecido com o que aconteceu nos filmes de Carpenter e carregaria esses traumas até a vida adulta, isso está bastante ilustrado aqui, já que as crianças de 78 estão presentes e fazendo uma reunião de sobreviventes em um bar local. Agora adultos, somos apresentados a Marion (Nancy Stephens), Lindsey (Kyle Richards), Lonnie (Robert Longstreet) e Tommy (Anthony). Tommy foi uma das crianças que Laurie Strode era babá quando Michael atacou pela primeira vez.

Sendo mais direto, se você lembra um pouco de como encerra o filme de 2018 e está habituado com a franquia, não é nenhum spoiler dizer que Michael Myers está de volta, ele sempre volta. Cada longa que passa o personagem está cada vez mais sanguinolento e aqui não é diferente, ouso em dizer que ele está até mais. Se tratando das mortes causadas por ele, pode ter certeza que temos várias, temos uma que chega ser engraçada que ocorre devido a uma porta de carro, outras bem dramáticas e outras bem rotineiras, que são as mortes dos personagens que não possuem nenhum tipo de peso e tomam atitudes idiotas, como ficar sem munição, esquecer a porta destrancada, portanto todas elas são bem viscerais, onde o sangue não é economizado, outro fator interessante nesse derramamento de sangue é o peso que ele possui. Em “O Terror Continua” vemos alguns personagens se importarem de verdade uns com os outros.

Existe uma tentativa do roteiro escrito pelo o trio Danny McBride, David Gordon Green e Scott Teems de trazer uma critica social para o longa-metragem, mas particularmente achei uma perca de tempo a cena em que eles tentam fazer isso, por motivos de dedicarem parte da  projeção para isso. A sociedade de Haddonfield está revoltada com tudo que está ocorrendo, como já dito antes um pouco mais a cima, eles querem fazer justiça com as próprias mãos gritando “O mal morre esta noite!”, mas o que eles acabam fazendo mesmo é ir atrás do cara errado. O sistema que Karen (Judy Greer) cita para sua mãe Laurie está em colapso por conta da opinião publica e não consegue tomar a frente da situação, falando de Karen, ela é uma personagem que acaba sendo uma pessoa totalmente diferente a cada três minutos, uma hora ela é uma mãe super protetora, outra ela não quer acabar com o mal e quando menos esperamos ela tenta acabar com o mal com sua próprias mãos, e então assim temos uma participação desastrosa de Judy Greer que é uma atriz talentosa.

Você precisa saber que “Halloween Kills: O Terror Continua” pouco se trata de Laurie Strode, ela está presente, de corpo e alma, de corpo nem tanto já que ela está tentando se recuperar de algumas sequelas do filme de 2018, entretanto esse filme se trata mais do Michael Myers e como para ele tudo dar certo. Além do que, nos é apresentado um conceito do que Myers é “feito”, não convence tanto mas a justificativa é compreensível, já que vemos o assassino sendo baleado, tomando facada e entre outras coisas e ele sempre acaba saindo ileso, totalmente o oposto de Laurie. Myers é onipresente, se existe algum barulho estranho na casa pode ter certeza que é ele, se tem alguma brecha na porta, pode esperar que Michael estará lá, no banco de trás de qualquer carro…advinha? o bicho-papão também se encontra lá.

A tática utilizada por Green em 2018 foi fazer uma sequência para o filme de 1978 e acabou ignorando o fato de que outros sete filmes de “Halloween” aconteceram nesse meio tempo (sim, eu ignoro as versões de 2007 e 2009 e você também deveria fazer o mesmo). No geral, a cronologia da franquia é uma verdadeira bagunça e Green, junto com os seus parceiros que o ajudaram escrever o roteiro tiveram a tarefa de amarrar essa nova era do assassino mais famoso do cinema com a sua icônica primeira aparição. “Halloween Kills: O Terror Continua” é um trabalho bem franco e que estabelece ainda mais o Michael Myers nas telas grandes para uma nova geração de espectadores e entusiastas de slasher, então aproveite o mês de outubro que é dedicado ao terror e assista um dos maiores homicidas que o cinema já proporcionou.

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