“Duna” é uma odisseia fascinante e mostra que Denis Villeneuve consegue inovar a cada projeto que assume

“Duna” é uma odisseia fascinante e mostra que Denis Villeneuve consegue inovar a cada projeto que assume

Duna, o clássico da ficção científica escrito por Frank Herbert já teve suas adaptações nos cinemas. Talvez a versão mais significativa seja a dirigida por David Lynch em 1984, por se tratar de Lynch. Agora os tempos são outros, e como em um certo momento o duque Leto Atreides (Oscar Isaac) diz: “Um grande homem não busca liderar; ele é chamado para isso”, podemos considerar que essa frase faz todo o sentido na escolha do cineasta canadense Denis Villeneuve para comandar essa nova versão cinematográfica do clássico literário de Herbert. Uma certa vez Villeneuve falou sobre fazer “Duna” como o “Star War para adultos”, e ele levou essa sua fala bem a sério. Seu filme é ambicioso e épico. Pouco divertido seguindo o ritmo do seu “Blade Runner 2049“, mas com a ousadia de não se preocupar com o apelo comercial. Provavelmente não seja a franquia acessível que a Warner Bros tanto queria, mas a empresa “ganhou” um projeto histórico para compor seu catálogo.

Paul Atreides (Timothée Chalamet), é jovem talentoso e brilhante que nasceu com um destino grandioso, para além até da sua própria compreensão, ele precisa viajar ao planeta mais perigoso do universo para garantir o futuro de sua família e de seu povo. Enquanto forças malévolas levam à acirrada disputa pelo controle exclusivo do fornecimento do recurso mais precioso existente no planeta – capaz de liberar o maior potencial da humanidade, apenas aqueles que conseguem vencer seu medo vão sobreviver.

Apesar de muita gente ter um certo receio com ficção cientifica, “Duna” não é um filme difícil de ser compreendido, temos aqui um longa envolvente com muitos personagens, cheio de diálogos longos sobre assuntos espaciais, impérios interestelares lutando pelo o controle de algo que é o elemento mais poderoso do universo, que permite às pessoas ver o futuro. Além de sci-fi, se trata de espiritualismo, política, cultura e lealdade, tudo que qualquer outra produção do gênero possui, mas aqui seja o que for é mais denso e maduro.

Esse tal artificio está localizado no planeta Arrakis, habitado pelos Fremen, que são oprimidos e aprenderam a sobreviver nos desertos repletos de vermes gigantes e perigosos que o planeta possui. Depois de uma breve introdução, “Duna” começa para valer quando a Casa Atreides aceita a administração de Arrakis. Depois de servir ao planeta Caladan por anos, Leto é um líder politicamente experiente, justo e passivo, ele sempre ver o melhor nas pessoas e isso o deixa vulnerável em determinadas ocasiões. Em alguns momentos seu comportamento pacifico o prejudica nas intrigas politicas que a trama apresenta no decorrer da projeção. Falar sobre a trama do filme chega ser desafiador no sentido de não estragar a experiência alheia. Não existe ninguém melhor do que o longa-metragem para falar sobre o que Duna se trata. Todos merecem assistir e sentir a historia que o roteiro adaptado escrito pelo o próprio Villeneuve com a ajuda de Eric Roth e Jon Spaihts tem para contar.

Sobre o trio de escritores que citei logo acima, o melhor deles é a decisão bem tomada de dividir o livro em dois filmes, sim isso aqui é a primeira parte de uma longa histórias que iremos acompanhar. “Duna” tem tempo para respirar, apresentar seu universo, desenvolver seus personagens e o melhor de tudo construir um mundo por meio da cultura, religião e ideologias politicas, como é a vida real. Entretanto, por se tratar de uma primeira parte, ainda assim é algo incompleto que deixa nós espectadores se perguntando quando a outra metade dessa odisseia espacial chega.

Um exemplo que as coisas ainda estão incompletas é o fato de Paul Atreides ser metade Bene Gesserit, metade humano e herdou alguns dos poderes de sua mãe, Lady Jessica (Rebecca Ferguson), mas ele ainda precisa dominá-los e provavelmente só veremos isso na segunda parte. Outro fator que chega ser um incógnita é Chani, a personagem vivida por Zendaya, que aparece bastante nos sonhos de Paul, e quando aparece para valer possui pouco tempo de tela, então não espere uma atuação marcante da jovem atriz que possui uma legião de fãs.

O longa-metragem é destinado a ser a jornada de um herói mítico, que possui algumas vertentes como estabelecer um universo, lidar com rivalidades familiares e a projeção do futuro do jovem Atreides. Talvez, uma das pequenas decepções seja o seu final nada conclusivo, por isso o público que potencialmente pode achar o enredo confuso saia da sala de cinema um pouco decepcionado, mas ainda assim terá uma experiência cinematográfica completa.

Definitivamente “Duna” é um filme majestático. Tudo tem uma dimensão muito grande nele, suas naves são tão enormes que uma tela de cinema não consegue compactar suas espessuras, os vermes que vivem nos desertos de Arrakis são tão imensos que não aparecem por completo. Isso tudo comandado pelo o talento de Denis Villeneuve, um diretor que teve diferentes fases em sua carreira e que hoje se encontra fazendo blockbusters de orçamentos altíssimos. Tecnicamente, “Duna” é perfeito, o compositor Hans Zimmer propõe uma trilha sonora estrondosa, bem o que ele está acostumado em fazer. A fotografia amarelada de Greig Frase é de encher os olhos, porém em certos momentos fica saturado que deixa o clima maçante. Para ser direto, como Frase filmou “Rogue One: Uma História Star Wars”, o clima de “Duna” é completamente o oposto.

Como já dito antes, Denis Villeneuve é um diretor que possui momentos diferentes em sua trajetória, no começo da sua carreira solo dirigiu filmes nada badalados, mas promissores para o cenário canadense, depois passou a dirigir projeções mais contidas, porém, com elenco de peso, como é o caso de “O Homem Duplicado” (2013), depois se tornou mais popular com “Sicario” (2015) e “A Chegada” (2016) até então assumir projetos como “Blade Runner 2049“. Villeneuve está longe de ser egocêntrico, como alguns outros, mas quem acha o contrário, provavelmente não irá desistir de opinião após assistir “Duna“, por ser um projeto grandioso. “Duna” é fascinante e a versão do Denis Villeneuve pode ser considerada como a versão definitiva feita para o cinema. Agora só nos resta esperar o aval da Warner Bros para liberar a produção de uma sequência.

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