Com uma edição acelerada, “Elvis”, de Baz Luhrmann é empolgante, mas sua carga dramática não desperta empatia

Com uma edição acelerada, “Elvis”, de Baz Luhrmann é empolgante, mas sua carga dramática não desperta empatia

É quase impossível descrever o impacto sociocultural de Elvis Aaron Presley, das quais música e fama ditaram o século XX e levaram o artista ao topo do mundo com sua beleza, seu rebolado e principalmente sua voz imponente. Isso é ilustrado bem no novo filme biográfico de Baz Luhrmann, “Elvis“. A Produção que serve para reverenciar os momentos de maestria do músico também pontua algumas polêmicas e até mesmo alguns traumas que Presley passou em sua vida. Entretanto, colocado na balança, às glórias enaltecidas aqui se sobressaem sobre os atordoamentos do cotidiano do artista. Em primeira análise, é fácil dizer que Luhrmann consegue entregar uma cinebiografia bem agitada referente aquele que todos nomeavam como o rei do rock, mas o próprio nunca aceitou esse título.

O filme aborda a vida e a música de Elvis Presley (Austin Butler) sob o prisma da sua tumultuada relação com seu empresário enigmático, o coronel Tom Parker (Tom Hanks). A história mergulha na complexa dinâmica entre Presley e Parker, que se estendeu por mais de 20 anos, desde a ascensão de Presley à fama até seu estrelato sem precedentes, tendo como pano de fundo a evolução da paisagem cultural e a perda da inocência na América. No centro dessa jornada está uma das pessoas mais importantes e influentes na vida de Elvis, Priscilla Presley (Olivia DeJonge).

Em questão “Elvis” não se trata exclusivamente apenas  sobre o artista que foi Presley, se trata também sobre a relação dele com o seu empresário Tom Parker, conhecido como Coronel Parker. Em alguns momentos ou a maioria das vezes a perspectiva do longa-metragem de Luhrmann pertence a Parker. Longe de transformar a figura do Coronel em herói, o filme começa com uma narração se justificando que ele não é culpado da morte de Presley. Provavelmente ele não seja o culpado, mas sabemos que devemos sempre questionar qualquer biografia de figura pública, apesar que aqui não é um trabalho focado sobre Parker.

Se você está esperando que vai assistir a ascensão de um músico ou como ele chegou ao ápice, está enganado. O roteiro escrito pelo o próprio Luhrmann que contou com a ajuda de Crairg Pearce, Jermy Doner e Sam Bromell nos apresenta Elvis Presley já com uma pequena fama por conta de algumas apresentações e músicas tocadas nas rádios. O que vemos mesmo é o começo da parceria que existe entre músico e empresário e que a partir daí surge os primeiros contratos milionários.

Mas antes disso um elemento forte aqui é como a direção de Luhrmann prepara a primeira aparição de Austin Butler como Elvis. Literalmente ela está sendo cozinhada, já que o vemos sempre de costas ou através de sua silhueta. O diretor sabe que tem um trunfo e ele usa no momento exato, que é quando Elvis/Butler sobe no palco pela primeira vez para gente e para os figurantes da produção. Chega ser impactante o papel desempenhado por Austin. Sua voz é similar com a de Elvis, fisicamente ele consegue reproduzir bem os passos de dança que o interprete fazia, passes esses no qual fez o artista ser preso e ir servir às forças armadas do seus país. Diziam que Elvis requebrava como os artistas negros da época, e isso é fato e ele nunca negou isso. Além da referência dos cânticos religiosos, o jazz e o blues que os artistas afro-americanos faziam eram a maior influência para Elvis na música e Luhrmann fez questão de relatar isso nesse seu trabalho.

Os primeiros vinte minutos de “Elvis” possuem uma velocidade consideravelmente rápida, cheio canções, danças, flashbacks graças a edição que apesar de ser bem trabalhada, provavelmente divida opiniões já que ela dita bem o ritmo do filme, em alguns momentos ela favorece e outros momentos ela tira a dramatização no qual os atores tentam agregar na trama. Por exemplo, um determinado personagem morre e tudo acontece tão rápido que não possui algum efeito, apenas para Presley, mas para quem está assistindo não existe impacto com esse personagem. Raras são as vezes que temos cenas de diálogos fortes, algumas envolve Priscilla Presley e outra envolve Vernon Presley, pai de Elvis, vivido por Richard Roxburgh.

Temos um Tom Hanks acima do peso devido algumas próteses, em alguns ângulos ele lembra Alfred Hitchcoc, seu personagem está repleto de metáforas como a figura paterna que não é do mesmo sangue, mas o forte dele é a manipulação emocional, pois constantemente ele consegue convencer o maior artista do mundo que sem a ajuda dele, Elvis seria impotente. Apesar da produção está repleta de canções do próprio Elvis, evidentemente, alguns artistas contribuem com músicas compostas originalmente para o filme e que acabam parecendo que elas estão fora do contexto.

Em última análise, “Elvis”, de Baz Luhrmann é apenas mais uma cinebiografia que não agrega tanto sobre a vida e a carreira de um ícone. Apesar de vermos a derrocada do protagonista, as polêmicas não estão bem ilustradas, poupando/respeitando a imagem do Elvis Presley. Acredito que esse filme é importante para essa temporada do cinema e que possivelmente ele esteja presente nas principais premiações, diante disso, Sob o comando desenfreado de Luhrmann, “Elvis” possui sim seus bons momentos, ele é empolgante devido a sua trilha sonora e a sua edição megalomaníaca, mas infelizmente não possui a profundidade que a vida e carreira de Elvis Presley aparenta ter.

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