Em Fortaleza, Rubel faz show intimista e mostra sua importância no atual cenário da música brasileira

Na última quinta-feira do mês de outubro, 31, o Theatro José de Alencar em Fortaleza (CE), abriu suas portas para o jovem cantor carioca Rubel, e para o seu público que resolveu lotar a casa com a intenção de prestigiar o músico em ascensão, que veio até a capital cearense com a proposta de um show somente com voz e vilão. Pode parecer simples, mas não se deixe enganar, o concerto do jovem rapaz além de trazer músicas autorais, contempla os grandes nomes da música brasileira.

Rubel iniciou seu show sem atraso, o set-list da apresentação se variou entre músicas dos seus dois álbuns mais conhecidos, “Pearl” (2013) e “Casas” (2018). De “Colégio a “Quadro Verde, o público se dedicou a cantar ininterruptamente todas as canções que eram executadas. Porém, ao propor a uma leva de covers, foi notável que parte da platéia ficou silenciosa. Com uma platéia tomada por uma grande quantidade de jovens, fica difícil afirmar se todas estavam simplesmente encantados ao ouvir as interpretações do cantor para músicas de artistas como Leci Brandão (na canção “Zé do Caroço“), ou se naquele momento estariam tendo o primeiro contato com aquelas composições.

Foto: Luigi Ewerton

Ao oferecer espaço para músicas clássicas e mais tradicionais em seu show, Rubel deixa a obra de grandes compositores cada vez mais viva para essa geração jovial que estão atentos a esses novos nomes da MPB como Silva, Tim Bernardes, entre outros nomes. Essa tarefa fica ainda mais reforçada quando o próprio artista toca e cita repetidamente essas grandes referências da música, que foi o caso deste concerto no José de Alencar. 

Claro, o ponto mais alto da noite foi quando o jovem carioca tocou seus grandes sucessos, “Partilhar” e “Quando Bate Aquela Saudade“, daí em diante o teatro virou um imenso coral coletivo. Deu para notar um mix de reações nas pessoas, de alegria por está do lado do seu parceiro(a) ou de tristeza, exatamente pelas letras tocantes que servem tanto para amar ou até para recordar de um antigo amor. Uma peculiaridade é o som que Rubel faz com a boca simulando um instrumento de sopro. Estou até agora me perguntando como ele faz isso.

Seja o que for, fazer tudo com bom humor se torna mais agradável, e ficou bem evidente que esse sentimento estava estampado na estrela principal da noite. Em “Chiste, música em parceria com o rapper Rincon Sapiência, Rubel fez um brincadeira com a plateia. Ele cantou, tocou e parou de cantar para conferir se as pessoas estavam com a letra na ponta da língua. Bem, a plateia não decepcionou. “Foguete“, conhecida na voz de Maria Bethânia também foi relembrada, mas ele não conseguiu recordar de quem era a composição – se responde o questionamento, pertence a J. Velloso e Roque Ferreira.

Foto: Luigi Ewerton

Com duração de uma hora e alguns minutos, o show inteiro teve uma boa relação entre artista e seu público. Ao apresentar pela primeira vez uma canção inédita, o cantor pediu para que não houvesse nenhuma gravação, porque ainda não estava finalizada. Essa vontade foi respeitada. Sobre essa nova música, o que deu para identificar nela é a brasilidade que ela possui, com um choro de violão que remete a bossa nova.  A história por trás dela é sobre a visita em uma casa no estado da Bahia onde nomes importantes da música e do cinema brasileiro frequentaram essa residência em algum momento, e segundo Rubel, ele teve a honra de visitar e fazer essa homenagem. 

Pessoalmente falando, a conclusão que eu tiro é que Rubel mesmo ainda não sendo um artista de grande massa, tem uma responsabilidade imensa para a música nacional, principalmente para um gênero que já não está entre os favoritos por uma escala maior de pessoas. Fico bastante curioso por seu próximo projeto e principalmente pelo seu retorno a capital cearense. 


Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.

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