Em “Monster Hunter”, Paul W. S. Anderson ignora o universo que tem em suas mãos para focar em batalhas épicas

Em “Monster Hunter”, Paul W. S. Anderson ignora o universo que tem em suas mãos para focar em batalhas épicas

O cinema tem o poder de se apropriar de diversas mídias e assim oferecer adaptações que são capazes de alcançar públicos que jamais conheceria determinado conteúdo. Existem livros, peças teatrais e até mesmo canções que ganharam suas versões cinematográficas, algumas delas bem adaptadas e outras nem tantas. Porém, há uma mídia no qual a indústria de produção de filmes tem uma dívida pela quantidade de mediocridade já produzida. Os videogames sempre foram vistos com grande potencial para quê suas franquias virem filmes, mas na pratica isso não ocorre. Há cada jogo transformado em filme, sempre existe o seguinte questionamento: “será que vão acertar nesse?”. Bem…aqui estamos nós diante de “Monster Hunter”, mais um resultado dessa relação videogame/cinema comandado por Paul W. S. Anderson, que ficou conhecido por dirigir outra franquia da Capcom, Resident Evil.

Um portal transporta a tenente Artemis (Milla Jovovich) e uma unidade de elite de soldados para um mundo estranho, onde monstros poderosos se habitam e governam com ferocidade. Enfrentando um perigo implacável, a equipe encontra um misterioso caçador (Tony Jaa) que pode ser sua única esperança de encontrar um caminho para casa.

Paul W. S. Anderson decide entregar com a primeira hora de “Monster Hunter” uma aventura prazerosa e recheada de batalhas. Sim, na primeira hora de filme somos bombardeados por combates épicos com monstros que possuem um designer único. No quesito teorias, o roteiro do cineasta é raso, o portal está com defeito e a transportação de pessoas e monstros acontecem, simples assim, sem nenhum conceito grandioso para explodir a mente de que está assistindo.

Porém, dentro dessa sequência de uma hora existe muita monotonia na direção de Anderson. O longa acaba se transformando em uma caça aos monstros, para Artermis e The Hunter fugir de um local que eles estão sendo encurralados por duas espécies de criaturas. Sendo assim, tiramos a conclusão que dentro desse intervalo de tempo que possui um ritmo acelerado, o diretor oferece uma experiência com pouco aprofundamento naquilo que estamos vendo e consegue capar os dois últimos atos de seu projeto.

Infelizmente “Monster Hunter”  não está preocupado em apresentar seus personagens, ou explicar seu mundo. Por exemplo, existe um personagem que é relevante no universo dos games, conhecido como amigato, no filme de Anderson ele é representado por um CGI descente, mas todo tempo ele está deslocado e não acrescenta em nada para a narrativa. Além disso, nesse longa-metragem também temos a atriz brasileira Nanda Costa, dando vida a Lea, que só sabemos que é ela por conta do close-up que a câmera dá em seu rosto. Além disso, a projeção é predominantemente ocupada em empurrar Milla Jovovich para uma franquia já existente e fazê-la parecer durona enquanto às coisas explodem, algo muito similar feito em Resident Evil. A parceria em tela entre os personagens de Milla e Toni é boa, por mais que eles troquem poucas palavras, conseguimos notar uma química entre ambos que até nos rende umas gargalhadas em uma cena que envolve uma barra de chocolate.

O cineasta britânico fez um conglomerado que você não queria de “Mad Max: Estrada da Fúria”, “Tropas Estelares”, “Reino de Fogo” e “Alien”, mas com uma trilha sonora hipnótica de Paul Haslinger. Como citei lá no começo do texto, os dois atos da projeção são bem curtos, e tudo vai acontecendo tão rápido, até os poucos diálogos que servem para explicar como Artermis vai voltar ao seu mundo e o mostro que ela vai enfrentar, porque ela não voltaria para casa sem passar por mais uma batalha épica.

O filme de Paul não desperta nossa curiosidade pela preguiça do seu roteiro, no entanto, seu final tem seus heróis correndo em direção a fera mais legal que o filme apresentou, mas ironicamente, por não ter desafiado nossa imaginação durante toda a produção, o roteiro resolve fazer isso no no segundo final da película.

“Monster Hunter”, de Paul W. S. Anderson vai agradar e desagradar diversos públicos. Para quem está procurando algo para desopilar após um dia estressante, pode ter certeza que a produção vai oferecer um bom entretenimento. Em relação aos fãs da franquia de videogame, é capaz deles se sentirem enganados por uma abordagem que não se aprofunda em algo que eles amam, enquanto uma parcela do público pode se questionar como o material de origem ganhou fãs, já que o roteiro se limita em desenvolver esse universo. Dito tudo isso, podemos considerar que  não foi dessa vez que os fãs de games podem se orgulhar em ver um jogo adaptado na tela grande. E novamente Anderson é o cineasta que conseguiu ter franquias lendárias como Resident Evil, Mortal Kombat (1995) e agora Monster Hunter em suas mãos e não entregou o quê o fã queria ter visto.

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