Ezra Koenig e a reinvenção do Vampire Weekend em “Father of The Bride”

Em 2008, com a ascensão do indie rock e de bandas percursoras do gênero como Arctic Monkeys e The Kooks, o Vampire Weekend optou pela ramificação mais atípica desta vertente. No disco homônimo lançado pelo grupo, as faixas reproduziam com um ritmo otimista os conflitos e desajustes de uma geração extremamente peculiar. Após 6 anos sem compartilhar nenhum material novo, a banda nova iorquina retorna em nova formação, ressignificando toda a natureza de sua musicalidade.

Father of the Bride“, sucessor de “Modern Vampires of the City“, lançado pelo Vampire Weekend em 2013, é uma das provas vivas de como com simplicidade é possível criar um material extremamente pertinente a sua era e maturidade, sem de forma alguma perder sua identidade. Há, com certeza e finalmente, um contraste abissal do que o grupo era e é agora. É notável e até surpreendente que no final das contas o produto final tenha nos presentado com faixas como “My Mistake“, “How Long?“, “Harmony Hall” e tantas outras. Com a saída de Rostam Batmanglij, peça-chave para o processo de produção e composição do Vampire Weekend, foi fácil prever e compreender que haveria uma dificuldade do grupo enquanto a estes fatores. Bom, acho que prevemos errado.

A solução encontrada aqui por Ezra Koenig – além de se reformular – foi a de recrutar a presença de músicos que poderiam lhe acrescentar uma visão moderna do momento musical em que vivemos. Nomes como Danielle Haim, Ludwig Göransson, Mark Ronson, BloodPop, Ariel Rechtshaid e Steve Lacy entraram no barco. É importante ter em mente que ainda que Rostam tenha se afastado do grupo, o músico ainda colaborou na produção de algumas faixas para este disco. Essa gama de sonoridades trouxe a este projeto em especifico uma pluralidade muito lógica, com uma energia própria. É a primeira vez em que o Vampire Weekend se distancia de fato da imagem hippie e bobinha que veio construindo todos estes anos, para dar um salto maior e se firmar como uma banda mais séria.

Este amadurecimento tardio, ainda que em nenhum momento tenha sido solicitado pelos fãs e os ouvintes, é muito bem-vindo aqui. Em termos de produção e de parte lírica, tudo está mais afiado! Sem ceder aos maneirismos de uma época tão musicalmente genérica, o grupo desponta, sem preguiça, como um belo exemplo de que é possível fazer o impossível e se restabelecer em um ponto ainda mais alto. Em forma de álbum duplo, “Father of the Bride” em seus 57 e poucos minutos de duração, é uma viagem imensamente divertida à melhor fase da banda.

Bem mais planejado que seu antecessor – construído de forma caprichada com partes que se sustentam muito bem – sem a necessidade um conceito pré-desenvolvido, “FOTB” é a obra definitiva do Vampire Weekend. Com influências de Surf Music, Jazz, Hip-Hop e até Country, fica claro que nada depois disso será o mesmo. Agora funcionando como um trio, Chris Tomson (baterista), Chris Baio (baixista) e Koenig (vocalista e guitarrista) são os caras com mais atitude e originalidade no jogo. Longe da zona de conforto, o Vampire Weekend se sobressai ao seu tempo e de forma ímpar, restabelece as diretrizes do que é de fato um ótimo álbum.


Flávia Denise

Jornalista & Music nerd. ;)

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