“Fora de Série”: Com aura de clássico instantâneo, primeiro longa dirigido por Olivia Wilde redefine o gênero da comédia de forma sagaz

Definitivamente estamos na metade do ano. Até aqui já surgiram bons filmes como “High Flying Bird“, de Steve Soderbergh; “Nós“, de Jordan Peele; e o documentário “Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan”, dirigido por nada mais, nada menos do que Martin Scorsese. Porém, uma das maiores surpresas, ou se não a maior que vamos ver durante esse ano, é o sucesso da comédia “Fora de Série“, que marca a estreia da atriz Olivia Wilde como diretora.

Se imagine como um aluno que tem as melhores notas, daqueles que se destacam dos companheiros de turma e ainda mais é o queridinho entre os professores. Essa é a situação das melhores amigas Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein), que passaram o colegial inteiro sendo alunas exemplares, mas nunca souberam o que é se divertir de verdade. Um dia antes da formatura, Molly descobre que todos os seus “amigos”, aqueles que não são bons alunos, vão cursar uma boa faculdade mesmo não sendo um extraclasse como ela. Indignada por ter dado duro, e sem ter curtindo uma festa durante sua adolescência, Molly convence Amy a fazer tudo o que elas deixaram de aproveitar durante quatro anos do colégio no último dia do ensino médio.

Desde então acompanhamos a maratona das protagonistas em busca de ir a uma festa que elas não foram convidadas, já que são consideradas nerds e, além disso ninguém gosta da Molly e Amy é tímida ao ponto de ninguém vê-la fora da escola.

Insanidade, piadas bem encaixadas, raiva e momentos hilários. O filme de Wilde é um mix de sentimentos que nos faz assisti-lo do inicio ao fim com um sorriso de canto de boca. Óbvio que todos esses sentimentos são bem sucedidos por conta da dupla de atrizes e o elenco de apoio como Billie Lourd, que interpreta Gigi, uma estudante histérica que está em todos os locais. Jessica Williams, Jason Sudeikis, Lisa Kudrow e Will Forte são os adultos presentes na projeção e todos desenvolvem muito bem suas funções 

Falando sobre as piadas, “Fora de Série” segue a linha dos filmes de comédias estudantis ao introduzir sexo em seu humor. Porém, ele não chega ao ponto de ser chulo. Para começar, a maioria das piadas giram em torno do universo sexual feminino. A comédia serve até de solução para abordar o tema sexualidade que existe em qualquer personagem, inclusive em Amy.

É notável que parte do filme tem uma estrutura similar como alguns outros projetos. Por exemplo, vemos Amy e Molly planejando algo e já sabemos que aquilo não vai dar certo, porém a maneira que é realizada é bem agradável. Difícil não lembrar de “Superbad – É Hoje“?. Roteirizado por quatro escritoras: Emily Halpern, Sarah Haskins, Susanna Fogel e Katie Silberman o filme tem algumas peculiaridades bem diferentes, como a cena em stop motion para transmitir o efeito das drogas.

Fora de Série” é guiado por uma trilha sonora marcante, produzida por Dan The Automotor, no qual nos oferece uma mistura de instrumentos, samples, e batidas contagiantes que oferecem uma montagem enriquecedora para cada cena.

Nada disso não seria tão marcante sem a presença de Olivia Wilde, a principal realizadora desse projeto. Wilde dirigiu curtas metragens, alguns comerciais e clipes musicais. É gratificante ver um filme em que um dos personagens principais é gay, mas é tratado com normalidade pela diretora e roteiro.

De geração em geração, essas comédias vão surgindo e marcando época. É fácil citar um punhado delas: O já citado “Superbard“, “Clube dos Cinco“, “Jovens, Loucos e Rebeldes” e até mesmo a franquia “American Pie“, sendo que essa mais apelativo do que qualquer outro e com uma qualidade bem inferior. A diferença de “Fora de Série” entre todos esses projetos citados é nítida por ser um filme de garotas para garotas, sobre garotas.  O filme mostra que existem diferenças na juventude de homem e mulher, e que as histórias da juventude feminina precisam ser contadas e podem agradar ambos os gêneros. O longa-metragem de Wilde é uma prova viva disso rendendo boas gargalhadas.

De modo geral, “Fora de Série” é sobre uma amizade insana, inabalável e até mesmo inesquecível. O desfecho dessa história é um cortejo melancólico a quem tem ou teve um grande amigo. Podemos defini-lo como uma sinceridade emocional. 

O filme é de uma  simplicidade cinematográfica na hora de discutir temas atuais, graças a leveza em que Olivia decidiu implementar no seu primeiro trabalho como cineasta. Se ela vai seguir sempre nesse caminho? Não sabemos, mas pelo resultado do seu primeiro projeto, vale a pena ficar de olho nos próximos passos da atriz e agora diretora.  


Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.

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