Francisco, el Hombre usa o caos como combustível em “RASGACABEZA”

Combustão. Esta é uma metáfora que perpassa por todo o novo álbum da Francisco, el Hombre, chamado “RASGACABEZA”. O novo trabalho da banda foi lançado no último dia 15 de março, três anos após do  último disco, “SOLTASBRUXAS” (2016) que levantou questões sociopolíticas, feministas e de igualdade.

Desta vez, as questões continuam com uma maior urgência a agilidade e proatividade, em batidas mais eletrônicas. Os primeiros singles apresentados ao público foram “O TEMPO É SUA MORADA :: celebrar” e “CHAMA ADRENALINA :: gasolina”, tratam, segundo a banda, da ressignificação da morte e de romper com a rotina, respectivamente. A primeira, é a que traz a leveza ao álbum marcado pelo caos de referências, trazido aqui como premissa estética, desde a capa as letras.

Produzido pelos irmãos Mateo e Sebastian Piracés-Ugarte junto aos demais integrantes do Francisco, El Hombre, “RASGACABEZA” foi gravado pela própria banda – boa parte em meio às turnês pelo o Brasil e pela América Latina. A sonoridade lembra “Duas Cidades“, do BaianaSystem em relação a potencialidade de embalar multidões ávidas por movimento, porém com alguns bpm a mais.

O grupo, formada por Juliana Strassacapa, Mateo Piracés-Ugarte, Sebastián Piracés-Ugarte, Andrei Martinez Kozyreff e Rafael Gomes consegue se desvencilhar de padrões – inclusive dos próprios – ao apostar no freak como combustível para queimar.

Deixo como destaque às seguintes faixas: “TRAVOU:: tela azul“, “ENCALDEIRANDO:: aqui dentro tá quente” e “SE HOJE TÁ ASSIM:: imagina o amanhã“. Todas com um ritmo frenético e com frases marcantes como: “morreu com muito sonho na cabeça“. Nesse caso, “TRAVOU” e “ENCALDEIRANDO” estão como sequência uma da outra, tendo uma transição perfeita, as trilhas parecem ser apenas uma.

Essa freneticidade em algumas das faixas, ou na maioria delas, parece ideal para um cenário apocalíptico, trazendo uma experiência turbulenta para o ouvinte. Nesse caso, um apocalipse pessoal, já que o disco discute sobre sentimentos no qual podemos nos deparar no decorrer do nosso cotidiano.

Fogo é um elemento presente no disco da banda e fica evidente que o grupo conseguiu fazer uma mudança de estilo de um trabalho para outro. Pode considerar-se que há uma clara decisão do grupo de sair de sua zona de conforto, no qual poderiam aproveitar pelo o sucesso de “Soltasbruxas”, mas optam pela inovação.

“RASGACABEZA” serve também como  homenagem ao produtor Carlos Eduardo Miranda (1962 – 2018), que esteve com a Francisco, el Hombre no processo de pré-produção do disco.

A cada trabalho que Francisco, El Hombre nos entrega eles ficam credenciados com o que tem de melhor e diferente na música nacional. O público precisa mais de bandas como essa.


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