“Ghostbusters – Mais Além”, de Jason Reitman não passa de um conglomerado de referências para agradar seus fãs mais saudosistas

“Ghostbusters – Mais Além”, de Jason Reitman não passa de um conglomerado de referências para agradar seus fãs mais saudosistas

Por tempos a ideia de “Os Caças-Fantasmas 3” foi algo que os fãs da franquia ficaram desejando. Porém, os anos foram se passando e esse sonho começou parecer impossível após o falecimento de Harold Ramis. Isso deixou muita gente que queria a sequencia conformada apenas com os 2 clássicos. Mas então, em 2016, “Os Caças-Fantasmas” ressurgiram para alegria de alguns e para raiva de muitos, que causou comentários maldosos e tóxicos sobre o filme de Paul Feig. Agora, em 2021, parece que o tão sonhado terceiro filme, que respeita o cânone dos longas dos anos 80 surgiu graças a decisão da Sony de colocar o projeto para frente. É lógico que isso causou empolgação e apreensão nos fãs. Agora podemos dizer que apenas esses verdadeiros fãs podem analisar se “Ghostbusters – Mais Além“, de Jason Reitman é capaz de agradar apenas quem tem um sentimento afetivo pela franquia e se ao mesmo tempo a produção vai conseguir atrair uma nova geração de fãs.

Callie (Carrie Coon) é uma mãe solteira que resolve se mudar para uma pequena cidade do interior com seus filhos Phoebe (Mckenna Grace) e Trevor (Finn Wolfhard). Ao chegar na nova casa, ainda sem saber ao certo o que vai acontecer, ela e seus filhos acabam descobrindo uma conexão com os Caça-Fantasmas originais e que o seu pai, um dos integrantes dos Caça-Fantasmas, deixou para trás como legado para sua família. Mas nem tudo é brincadeira, com a descoberta de objetos e a chegada da casa, acontecimentos paranormais começam acontecer.

Como “Ghostbusters” é um projeto que comove muita gente, Jason Reitman teve em suas mãos uma responsabilidade enorme para comandar essa projeção, já que seu pai, Ivan Reitman, é o homem que dirigiu os dois primeiros filmes nos anos 80. Para começar, posso dizer que Jason não poupou em nada e acredito que ele traz para “Mais Além” tudo que muita gente sempre quis ver em uma continuação direta de Caças-Fantasmas. Seu filme é um conglomerado de referências, que por muitas vezes só quem acompanhou a franquia assiduamente vai conseguir entender, talvez seja essa característica que crie uma barreira para o público mais jovial que queira embarcar nessa aventura e esse fator propõe bastante irregularidades.

Apesar de ser uma continuação direta, “Ghostbusters – Mais Além” pode ser considerado como um recomeço de tudo, e como qualquer outro recomeço um dos elementos principais é apresentar personagens novos, Reitman faz isso de maneira brilhante. Alguns desses personagens funcionam muito bem e outros nem tanto, entretanto esse novo elenco está encarregado de adicionar uma nova linguagem para atrair crianças e até mesmo adultos, já que outros projetos mais recentes que possui elenco infantil conseguiu cativar até mesmo os mais velhos.

O roteiro escrito pelo o próprio cineasta com a colaboração de Gil Kenan faz com que a trama rode em torno de Phoebe (Mckenna Grace), apaixonada por ciência e qualquer tipo de conhecimento, literalmente ela entra no escalão de menina prodígio, mas em alguns momentos o saber além da conta acaba transformando a personagem em algo surreal, em determinado momento ela está aprendendo usar um mecanismo e em questão de minutos já vemos ela enfrentando fantasmas como se fosse uma veterana em tal atividade. Além disso, Mckenna mais uma vez reafirma que tem um futuro longo como atriz. Em seu primeiro trabalho, Logan Kim vive Podcast, parceiro de Phoebe e junto com Paul Rudd (Mr.Grooberson) está encarregado de ser o alívio cômico da produção, ouso em dizer que ele se sai até melhor do que Rudd desempenhando essa função. Já os outros personagens são bem coadjuvantes e estão lá apenas para cumprir funções que nem compensam em ser discutidas aqui.

De fato a nostalgia pode prejudicar bastante “Mais Além“, seguindo a linha de raciocínio em que muita gente através desse filme vai ter o primeiro contato com os Caça-Fantasmas sem ter assistido os outros, imagine qual será a reação da pessoa ao se deparar com o elenco original. Lógico que a produção explica a origem do grupo, mas ela também homenageia Harald Ramis, que tem uma relevância significativa para a franquia, mas prevejo que poucos vão ficar comovidos, já quem é novo nesse universo não vai entender o que está acontecendo.

Por tudo que que foi apresentado durante os 124 minutos de projeção, podemos tirar como conclusão que é possível existir uma continuação, entretanto não podemos esperar alguma novidade se tratando de Ghostbusters, já que até na versão de 2016, onde todas as protagonistas eram mulheres muitos conceitos foram repetidos e aqui ocorre a mesma coisa. Como por exemplo a batalha final ser sempre a mesma repetição de se abrir um buraco no céu.

Chega ser curioso o que diretor fez, nos primeiros minutos tudo parece ser um grande mistério e esse clima persiste bastante e quando ele começa com sua enxurrada de referências, as primeiras são bem tímidas, até aparenta ter um tom de vergonha de dizer que que é Caças-Fantasmas.

Infelizmente, para quem dirigiu “Tully”, que é um filme cheio de personalidade graças o roteiro da Diablo Cody, Jason Reitman ficou irreconhecível nesse trabalho, quando ele tenta colocar uma franquia adorada por muitos em eixo, ele falha miseravelmente se assegurando ao passado e esquece que existe um presente, e se tratando de futuro, sem quere ser tão rígido, até que ele consegue estabelecer um futuro, mas apenas nas cenas pós-créditos. Se você for um fã fervoroso de Caças-Fantasmas, talvez você fique satisfeito com “Ghostbusters – Mais Além“, já que o longa-metragem te faz rever algo que já foi marcante em sua vida.

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