‘Jurassic World: Domínio’ é a despedida amarga que a franquia não merecia

‘Jurassic World: Domínio’ é a despedida amarga que a franquia não merecia

Em algum momento de nossas vidas fomos encantados por dinossauros. Principalmente quem viveu os anos 90. “Jurassic Park” (1993), de Steven Spielberg foi uma das grandes influências para desabrochar esse gosto nas pessoas, acompanhando da icônica trilha sonora de Joh Williams, a projeção segue tendo um valor sentimental para muitos que são fãs de cinema. Além disso, esse sentimento passa de geração a geração, isso faz que o universo criado por Spielberg siga adiante tendo algumas continuações. A trilogia inicial se encerra em 2001 e uma nova era surge em 2015, chamada Jurassic World, tendo a missão de seguir a  empreitada de continuar a franquia. Agora em 2022, Colin Trevorrow entrega, “Jurassic World: Domínio“, o terceiro (que promete ser o último) filme da fase ‘World’, com um gosto decepcionante por tudo que foi constituído nos dois anteriores e como esse terceiro volta para a estaca zero repetindo o feito dos seus antecessores.

Quatro anos após a destruição da Ilha Nublar, os dinossauros agora vivem livremente ao lado dos humanos pela terra. Esse frágil equilíbrio remodelará o futuro e determinará, de uma vez por todas, se a espécie  humana continuará sendo o principal predador em um planeta que agora compartilham com as criaturas mais temíveis da história. Os ex-funcionários do parque dos dinossauros, Claire (Bryce Dallas Howard) e Owen (Chris Pratt) estão de volta, tendo a função de pais protetores de Maisie Lockwood (Isabella Sermon), que é importante biologicamente para trama. Quem também está de volta é o clássico trio da franquia que nos foi apresentados lá em 93, Alan Grant (Sam Neil), Ellie Sattler (Laura Dern) e Ian Malcom (Jeff Goldblum). Juntos, todos eles vão ter que deter Lewis Dodgson (Campbell Scott), mais um cientista que quer fazer experimentos biológicos que pode ferrar com a humanidade.

Infelizmente esse terceiro e último capitulo da franquia se encerra de forma vexatória, Colin Trevorrow colaborou com “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros” (2015) e seu retorno não é nada triunfal, já que ‘Domínio’ se assemelha estruturalmente ao seus antecessores. Por mais fraco que seja, “Reino Ameaçado” (2018), de Juan Antonio Bayona preparou o terreno para que os dinossauros vivessem em conjunto com a sociedade humana. Em principio, Trevorrow até nos estrega um pouco dessa vivência entre dinossauro e homem, mas tudo isso na base de resumo em um noticiário de televisão.

Noticiário que nos apresenta temas que seriam mais interessantes de se acompanhar, como o contrabando de algumas espécies, mas o roteiro escrito pelo o próprio Trevorrow nos leva para outro caminho. Em uma trama mais contida, nos deparamos com o cientista Lewis Dodgson comandar uma empresa de tecnologia que promete somente coisas boas para humanidade, mas na verdade está visando apenas seus interesses fazendo experimentos biológicos que não dão certo. Para corrigir seus erros, é preciso do DNA da Maisie Lockwood. Dito isso, já da para notar a previsibilidade do roteiro no qual coloca Maise como um personagem central da história e que Owen e Claire vão ter que usar dos seus esforços para protegê-la.

Tudo nos leva acompanhar a jornada de Owen e Claire tentando evitar que algo de ruim aconteça com a Maise, no meio do jornada o casal passa por diversas aventuras que rendem até bons momentos para o filme. Como dizer que uma fuga em cima de uma moto sendo perseguido por raptores biologicamente modificados não seja divertido? lógico que é, porém, toda essa aventura infelizmente só funciona bem sem contexto, o motivo que ocasiona ela é bobo e repetitivo, já que a trama se parece bastante com a de “Reino Ameaçado” (2018). Parte dessa aventura toda acontece no meio da sociedade, mas não existe impacto nenhum, já que os figurantes agem de maneira tão comum, como se já tivessem acostumados com tudo que ocorre.

Já o trio clássico se encontra envolvido em outra trama que se refere a gafanhotos gigantes, outro plano pirado do cientista. É bom ver Alan Grant, Ellie Sattler e Ian Malcom juntos novamente, o sentimento de nostalgia nos abraça e consegue até nos arrancar aquele sorriso de canto de boca, mas nada além disso, já que essa formula que apela para a nostalgia está sendo usufruída por praticamente todas franquias que estavam no limbo e resolveram voltar por formar de reboot ou remake. Antes de “Jurassic World: Domínio” entrar em cartaz, foram disponibilizados alguns curtas-metragens que servem de introdução a ele, um deles foi “Battle at Big Rock“, dirigido pelo o próprio Trevorrow e ali temos uma ideia bastante amadurecida sobre homem e dinossauro dividindo o mesmo espaço e tristemente tudo que funcionou no curta não está presente no filme.

Um dos poucos méritos que existe aqui é a fotografia John Schwartzman, que não é escura, que nos permite a  assistir e a ver bem todos os dinossauros apresentados, existem diversas espécies diferentes e novas que nunca apareceram no decorrer dos últimos cinco filmes e isso é bastante satisfatório, porém, mesmo assim eles conseguem cometer um erro ao apresentar um determinado dinossauro. Existe uma situação onde três personagens estão em um avião que está prestes a cair, só um deles é ejetado da aeronave e cai numa floresta, de repente esse personagem fica diante do Giganotossauro, ‘o maior carnívoro que já existiu‘, e toda vez que o Giganotossauro aparece, sempre alguém tem que dizer que ele é ‘o maior carnívoro que já existiu‘.

Esse sexto longa-metragem no geral conclui o ciclo Jurassic Park/World, marca o fim de não uma, mas duas eras. O desfecho é bem decepcionante ainda quando se pensa na trilogia clássica, que merecia um encerramento com honra, se você for do tipo saudosista, como eu, vai se convencer que a era ‘Park’ teve seu fim com o longa de Joe Johnston, lá em 2001, que foi um final aceitável. Já sobre o encerramento do World, finalmente podemos respirar aliviado ao saber que chegamos no fim da franquia, pelo menos por enquanto. Uma continuação? só na base do reboot onde traga novas ideias e nomes mais ambiciosos assumindo o projeto, enquanto isso não acontece, deixe os dinossauros quietos na era deles.

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