“Lightyear”, de Angus MacLane foge do padrão da Pixar, mas não deixa de ser mais um acerto do estúdio

“Lightyear”, de Angus MacLane foge do padrão da Pixar, mas não deixa de ser mais um acerto do estúdio

Até aonde sabemos Toy Story chegou ao seu fim com o quarto filme da franquia em 2019. Com esse encerramento, uma gama de personagens icônicos ficaram encostados e somente vivos na lembrança, mas alguns deles possuem um valor sentimental muito valioso para apenas ficar lembrado na memória. A Pixar/Disney resolveu arriscar e decidiu usar um desses ícones fora do universo que tanto amamos. O resultado não podia ser outro além de algo positivo, principalmente quando ela decide escolher o Buzz Lightyear para ser essa cobaia. O personagem ficou nas mãos de Angus MacLane, que nos proporciona “Lightyear“, uma animação que mostra que a Pixar pode ir mais adiante do que ela está acostumada a produzir.

O longa-metragem segue o lendário Patrulheiro Espacial depois que em um teste de voo da nave espacial faz com que ele vá para um planeta hostil e fique abandonado a 4,2 milhões de anos-luz da Terra ao lado de seu comandante e sua tripulação. Enquanto Buzz (Chris Evans) tenta encontrar um caminho de volta para casa através do espaço e do tempo, ele descobre que já se passaram muitos anos desde seu teste de voo e que os descendentes de seus amigos, um grupo de recrutas ambiciosos, e seu charmoso gato companheiro robô, Sox. Para complicar as coisas e ameaçar a missão está a chegada de Zurg, uma presença alienígena imponente com um exército de robôs implacáveis e uma agenda misteriosa.

O longa de Angus MacLane não é exatamente um filme de 2022, “Lightyear” é o filme favorito do Andy, a criança dona de todos os brinquedos que nos foi apresentado lá em 1995. O Buzz Lightyear que conhecemos, é um boneco baseada no protagonista fictício desta película. Então entenda, essa é uma das poucas referências direta que vamos ter sobre Toy Story aqui. Todos nós sabemos o quanto a Pixar é traiçoeira quando o assunto é discutir temas sociais, e que no final das contas ela consegue emocionar seu publico através de suas animações. Porém, temos aqui um dos filmes menos sentimentalistas da Pixar, se formos compararmos com suas últimas projeções, “Soul” (2020), “Luca” (2021) e “Red: Crescer é uma Fera” (2022).

Buzz tem um sério problema sobre individualidade e trabalho em equipe. O protagonista segura um fardo de ter cometido um erro de fração de segundo após ele se recusar a aceitar ajuda, ele se sente responsável por todos na espaçonave que não podem voltar para casa por causa dele. Buzz se mantem preso em sua obsessão por corrigir seu erro, entretanto isso lhe custa algo. Para consertar a sua falha, ele precisa testar combustíveis que podem ajudá-lo a atingir velocidade suficiente para atravessar a galáxia. Mas toda vez que ele viaja no tempo e no espaço, se passam quatro anos. Ele não envelhece, mas todos que ele conhece, incluindo sua melhor amiga Alisha Hawthorne (Uzo Aduba), envelhecem. Enquanto vemos ele preso nesse loop, toda a tripulação consegue se adaptar e seguir em frente para construir vidas além de suas posições oficiais.

Infelizmente o roteiro escrito pelo o próprio MacLane com a ajuda de Jason Headley não menciona o que ou quem, espera Buzz na Terra, e isso acaba tornando o patrulheiro em alguém teimoso e vaidoso ao ponto de que apenas completar a missão é o suficiente, e ser lembrado pelo o feito é o mais importante. Ele ignora literalmente o que está ocorrendo ao redor dele. Após sua última tentativa, alguns anos no futuro Buzz acaba criando uma amizade com um bando de desajustados. Enquanto ele estava preso na sua tarefa, um exército de robôs alienígenas sob o comando do imperador Zurg (James Brolin) aterroriza os humanos neste planeta. Não compensa muito falar sobre o vilão aqui, já que existe uma surpresa sobre ele.

Esse grupo de amigos que pretende ajudar o Buzz, se ele permitir, é a neta de Alisha, Izzy Hawthorne (Keke Palmer), Mo (Taika Waititi) e Darby (Dale Soules), eles vão tentar mostrar para o piloto que grandes resultados podem vir mesmo depois de ter cometido alguns erros. Porém, existe um membro que se destaca sobre todos, Sox (Peter Sohn), o gato robótico super inteligente designado como companheiro de Buzz. O alívio cômico do filme fica por conta dele.

Em ponto de vista técnico, a ação desse filme acaba tornando o projeto menos sentimentalista. Evidentemente Buzz vai passar por lições por conta do comportamento individualista, mas isso é pouco discutido, já que a produção oferece boas cenas de ações, que ao meu ver, fazem bem e acaba nos tirando da mesmice. Mas calma, se você acha que a Pixar só é boa no que faz por mexer com o emocional das pessoas, esse pedigree ainda continua intacto, porém, em doses menores. Além disso, os traços em “Lightyear” consegue fazer com que os planos de fundo e alguns detalhes que fazem parte do design de produção pareçam tão naturais sendo afetados pelo tempo. Isso é mantido quadro a quadro e fica notável o desgaste nos trajes e em alguns cenários.

“Lightyear” entra na moda de brincar com o tempo e isso oferece espaço para diversas teorias sobre onde e como essa história se encaixa no universo da Pixar. De maneira tristonha, estamos vivendo numa era onde tudo precisa se encaixar em um quebra-cabeça para termos um universo compartilhado e para que assim tenha continuações ou então novos projetos se liguem com esse. Dito isso, a pergunta que deixo é a seguinte: Por que nunca vimos um brinquedo do Sox em qualquer um dos “Toy Story”?

Infelizmente não assistimos “Luca” e “Red: Crescer é uma Fera” nos cinema, “Lightyear”, de Angus MacLane está atrás desses, mas ainda é um retorno digno da Pixar a uma sala grande de cinema. Além disso, “Lightyear” abre um espaço e uma grande esperança para a existência de novos projetos com esses personagens que estão encostados; Me responda, você teria maturidade para um filme do Woody fora do universo do Toy Story? esse humilde escritor não. Em uma última análise, MacLane nos propõe uma ficção científica animada, repleta de aventura e que foge um pouco do que estamos acostumados quando se trata de um estúdio que sempre acerta mais do que erra, dito isso, “Lightyear” é mais um acerto.

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