“Minions 2: A Origem de Gru”, de Kyle Balda nos apresenta os primeiros passos de Gru como vilão

“Minions 2: A Origem de Gru”, de Kyle Balda nos apresenta os primeiros passos de Gru como vilão

Em meados de 2010 “Meu Malvado Favorito” estreou despretensiosamente, como uma animação genérica só para preencher o calendário anual de filmes animados, porém, isso não passa de uma tease. Já que em prática o longa entrou nas graças dos espectadores e não é atoa que se tornou uma trilogia. Entretanto, existe um fator que ajudou ainda mais essa produção se tornar tão querida. Junto com Gru, o vilão com mais bondade no coração, surgiu os Minions, umas criaturinhas amarelas que se comportam de maneira inexplicável e que se comunicam com sons inaudíveis. Acho difícil afirmar com tanta certeza que nem os realizadores já saberiam que esses personagens se tornariam essa febre, o sucesso foi tão grande que os próprios ganharam um filme solo em 2015 apresentando sua origem, e agora, depois de alguns anos Kyle Balda retorna para dirigir “Minions 2: A Origem de Gru“.

Muito antes de se tornar um grande vilão, Gru é apenas um garoto de 12 anos em um subúrbio dos anos 70, planejando dominar o mundo de seu porão. Quando Gru cruza o caminho dos Minions, incluindo Kevin, Stuart, Bob e Otto – um novo Minion que possui a necessidade de agradar – essa família inesperada une forças. Juntos, eles constroem seu primeiro covil, projetam suas primeiras armas e se esforçam para executar suas primeiras missões. Quando o infame grupo de supervilões, o Sexteto Sinistro, expulsa seu líder – o lendário lutador de artes marciais Willy Kobra (Alan Arkin/Gesteira) – Gru, o fã número um, participa de uma entrevista para se tornar membro da equipe. O Sexteto não se impressiona com ele, mas então Gru toma uma atitudo que o enfurece, e de repente Gru se torna inimigo dos seus ídolos. Os Minions tentam dominar a arte do kung fu para ajudar a salvá-lo, e Gru descobre que até os bandidos precisam de uma ajudinha de seus amigos.

“Minions 2: A Origem de Gru”, de Kyle Balda é uma produção bem simples e não flerta com inovações que queiram estabelecer novas ideias para as animações. Na verdade, Balda continua utilizando o que mais funciona nesse universo que nos foi apresentado em “Meu Malvado Favorito”, os Minions. Depois de sete anos de ausência, o carisma dos personagens segue sendo o mesmo e o humor deles continua nos rendendo boas risadas. Gru, ou então mini chefe, como os próprios Minions preferem chamar, chega ser mais divertido na versão infantil do que adulto e fica mais evidente que exista uma química melhor entre os personagens.

Em termos de trama, o filme também está longe de apresentar algo inovador e isso acaba se tornando um fator positivo para ele mesmo, já que a única função do longa-metragem é oferecer um entretenimento sem criar desafios na cabeça de quem assiste. Tudo gira em torno de um artefato que está sobre o controle do sexteto, esse artefato possui poderes ocultos, mas acaba caindo nas mãos de Gru, já que ele não conseguiu passar na seletiva para entrar na equipe. O que de fato vale a pena são as ocasiões em que Gru e os Minions se envolvem e como elas são solucionadas. Longe de termos piadas elaboradas, o humor do filme é mais físico do que falado e pode ter certeza que você verá os Minions em situações bem cômicas.

Outro fator que surpreende aqui é a trilha sonora que agrega uma riqueza musical para produção. Diana Ross e a banda Tame Impala se uniram para compor a canção tema do filme, “Turn Up the Sunshine“. Musicalmente o Brasil também é relembrando aqui, “Desafinado” composta por Tom Jobim e Netwon Mendonça está sento interpretada pela cantora Kali Uchis. “Desafinado” é um clássico da bossa nova e foi imortalizada pela voz de João Gilberto. Se o filme é especialmente feito para as crianças, os adultos pode se divertir e principalmente se surpreender com algumas referências cinematográficas, algumas delas estão bem nítidas como um poster de “Tubarão”, de Steven Spielberg, já as outras estão estão bem representadas em planos.

Provavelmente o interesse da Illumination com “Minions 2: A Origem de Gru” tenha surgido só para gerar lucros ao estúdio, sem nenhuma intenção artística. O longa de Balda não acrescenta em nada na linha temporal principal do universo, porém, ele consegue criar uma vertente no qual possibilita duas linhas temporais para esses personagens. Uma sequência de filmes sobre adolescência ou a jovem-adulta vida de Gru pode render ainda mais boas histórias. Kyle Balda é o cineasta certo para levar esse projeto adiante, basta saber se o estúdio estará disposto a produzir.

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