“Morbius”, de Daniel Espinosa prova que precisa existir limites para fazer filme sobre vilões de quadrinhos

“Morbius”, de Daniel Espinosa prova que precisa existir limites para fazer filme sobre vilões de quadrinhos

Os filmes de super-heróis já estão estabelecidos e isso não é mais novidade para ninguém. Em um mundo antes de 2008 seriamos incapazes de dizer que em algum momento existiria filmes do Homem de Ferro ou até mesmo de grupos desconhecidos como Guardiões da Galáxia, Eternos e Esquadrão Suicida. Porém, os produtores não pararam aqui. Pelo o visto, vem surgindo uma nova tendência dentro desse gênero, que é produzir longas sobre os vilões.  Depois de vermos “Coringa” (2019), “Venom” (2018) e até mesmo um filme da Arlequina (2020), chegou a vez de Morbius, um dos vilões do Homem-Aranha ganhar seu próprio filme solo dirigido por Daniel Espinosa.

Interpretado por Jared Leto, conhecemos o Dr. Michael Morbius capturando morcegos vampiros na Costa Rica antes de irmos para um flashback de sua infância internado em um hospital. Morbius tem um raro distúrbio sanguíneo que causa exaustão, dor e dificulta sua locomoção na hora de andar. Porém, ele tem um dom para a ciência e a mecânica; seu mentor, Emil Nikols (Jared Harris) o envia para uma escola de crianças superdotadas, dizendo: “Você tem um dom Michael. Seria uma pena vê-lo desperdiçado”. De volta aos dias atuais, onde descobrimos que Morbius ganhou o Prêmio Nobel por desenvolver um “sangue artificial”, capaz de salvar vidas, porém isso é uma mera experiência para tentar unir o DNA humano com os dos morcegos para curar sua doença.

Sem ser surpresa para ninguém, o personagem de Leto consegue fazer o que tanto deseja, só não esperava de fato virar um vampiro, ser uma ameaça para as pessoas e ser perseguido pela polícia. Entretanto, o maior mal causado por Morbius foi deixar a cura desenvolvida cair em mãos erradas. Essa ideia onipresente de fazer um filme de vilão pode se tornar um mal. Vendido de maneira enganosa, Morbius não é realmente o vilão, esse papel fica para Milo (Matt Smith), amigo de infância de Michael e que possui a mesma doença, que também espera por uma cura, mas assim como o protagonista, acaba se torando um vampiro. Desde então Morbius se torna o menos dos males e deve deter Milo, para que o expectador possa se sentir animado para ver dois vampiros brigando.

Como já era de se esperar, “Morbius“, de Daniel Espinosa é uma decepção. O roteiro da dupla Matt Sazama e Burk Sharpless é previsível em varias questões, principalmente quando coloca o melhor amigo de Michael como antagonista. Temos Adria Arjona vivendo a doutora Martine Brancrof que ajuda o protagonista em diversos momentos, mas acaba fazendo parte do romance mais sem graça que um filme de quadrinhos já nos apresentou, sem falar que algo “importante” acontece com ela que pode ser usado em futuros filmes, só não sabemos se vai ser em Morbius 2 ou então em qualquer filme de herói que a Sony planeja em fazer. Nomes talentosos trabalham aqui, Oliver Wood tomou conta da fotografia, Pietro Scalia é o editor, mas mesmo assim não conseguimos reconhecer um toque de qualidade, já que a fotografia chega ser escura e a edição usufrui muito da câmera lenta.

Se tinha algo que realmente estava esperando de Daniel Espinosa era uma possível sequência de “Vida” (2017), a ficção cientifica que conseguiu resgatar um pouco do espirito de “Alien – O 8.º Passageiro“, algo que “Prometheus” (2012) e suas sequências não conseguiram entregar. Em “Vida”, Espionosa se mostrou ser um cineasta promissor tendo um projeto ambicioso em suas mãos e onde tivesse a liberdade para fazer o que bem entender, agora tendo uma coleira em seu pescoço e tendo um grande estúdio para o controlar, Espinosa se torna mais um nome promissor em que filmes de heróis acabam queimando para o grande o público.

“Morbius” é tão ruim quanto “Venom”, a diferença que um acaba sendo divertido e outro não. Não existe momentos emocionantes ou surpreendentes, se para os figurantes uma briga entre dois vampiros não causa surpresa, por que nos causaria? filmes de quadrinhos como “Morbius” sempre vai seguir a seguinte cartilha: um drama do personagem, paletas de cores desbotadas, músicas boas que tentam empolgar de algum modo, os problemas familiares ou com alguém próximo e o pior de todos, as batalhas finais mal iluminadas e produzidas na base do CGI. É quase certo presenciarmos isso nesse gênero que virou tendência.

Talvez posso está sendo rigoroso com o filme, se você for com expectativas baixas, a produção não parece ser tão ruim como eu descrevo. Leto não é o pior ator do mundo como uma grande maioria tenta apontar, vale lembrar que ele tem um Oscar de Melhor Atuação Masculina e para trabalhos como esse, por incrível que pareça, ele consegue dominar o papel. Porém, nem isso consegue trazer um pouco de entretenimento para esse longa-metragem. Como de costume, existe cenas pós-créditos, para pontuar futuros acontecimentos, mas a pergunta que faço é a seguinte: como alguém que acabou de assistir “Morbius” vai ficar empolgado para ver algo relacionado com esse filme?; Dizer que que essa película dura 104 minutos é o melhor elogio a ser feito.

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