Nono filme da franquia Velozes e Furiosos reafirma o estilo que foi adotado nos últimos anos

Nono filme da franquia Velozes e Furiosos reafirma o estilo que foi adotado nos últimos anos

De acordo com qualquer dicionário que possuímos em casa, a palavra ‘limite’ vem com o seguinte conceito: ‘Linha que, real ou imaginária, delimita e separa um território de outro’, ou então, ‘o mais alto grau ou final de alguma coisa’. Palavra e conceito que são desconhecidos para a franquia Velozes e Furiosos, e também para Justin Lin, diretor que estava fora do projeto desde 2013, mas retorna no comando do nono filme e faz o que todo mundo se espera se tratando de Velozes e Furiosos.

Em Velozes & Furiosos 9, Dominic Toretto (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) vivem uma vida pacata ao lado de seu filho Brian. Mas eles logo são ameaçados pelo passado de Dom: seu irmão desaparecido Jakob (John Cena). Trata-se de um assassino habilidoso e excelente motorista, que está trabalhando ao lado de Cipher (Charlize Theron), vilã do oitavo filme. Para enfrentá-los, Toretto vai precisar reunir sua equipe novamente.

Depois de alguns acontecimentos no qual fizeram os fãs pensar que poderia ser o fim, Velozes & Furiosos se tornou algo exclusivamente sobre o personagem vivido por Vin Diesel. Esse e os últimos filmes da franquia que foram lançados, a trama girou em torno de Dominic Toretto e seu discurso sobre família. Bem…F9 é mais um capitulo que esse discurso é reforçado, dessa vez graças a um irmão de Dom, nunca citado antes, mas agora aparece tentando reunir um artefato que tem a função de ser a arma mais perigosa do mundo. Lógico que Toretto e sua equipe fazem de tudo para impedir, e para isso ele terá que enfrentar o próprio irmão Jakob e resolver algumas pendências do passado.

Justin Lin decidiu construir e contar a relação de Dom com seu irmão através de flashback, e com isso o filme fica intercalando entre sequências dos dias atuais e o passado do protagonista em 1989. O lado vantajoso disso é que temos cenas de ação diferentes; uma se resume nesse atual formato que estamos acostumados: tiros, bombas e malabarismo com carros, e a outra é o modelo que conquistou uma legião de fãs para a franquia, a tradicional corrida de rua.

Infelizmente as cenas de ação não possui um alicerce chamado roteiro que é importante para que elas façam sentido ao acontecer. A primeira sequência de ação é tão megalomaníaca que nem os personagens sabem o motivo deles estarem nela. Justin Lin segue a fórmula que vem agradando a maioria dos fãs, então o roteiro escrito pelo o próprio está longe de ser o elemento principal do filme. Para não estragar a experiência de ninguém, é preferível que algumas soluções que Lin decide tomar não sejam discutidas aqui, mas vale dizer que são soluções que já foram aplicadas no decorrer dos outros filmes.

O quê seria essa tal fórmula em Velozes e Furiosos? Carros voando, tiro, porrada e bomba e o personagem vivido por Tyrese Gibson servindo como alívio cômico, e dessa vez até mesmo as piadas que Roman Pearce faz baixaram de nível. O longa até oferece fatores novos, como o ressurgimento de um certo personagem, que acredito que seu arco renderia como trama principal, mas como tudo é sobre o Toretto, isso não ocorre e todos os questionamentos voltado para esse personagem em especifico duram menos de dez minutos.

Sobre os outros aliados de Dominic, eles estão lá só para servir Dom, e muita das vezes a conversa sobre família tenta ser derrubada pelo o próprio orador por conta do seu egoísmo de querer resolver os problemas sozinho, mas no final das contas sempre tem alguém para lembrar que eles são um grupo e não vão deixar o Toretto na mão. Sem nenhuma surpresa e mesmo tendo pouco tempo de tela, a vilã vivida por Charlize Theron é imponente e acaba sendo o que tem de melhor junto com John Cena no núcleo vilanesco da produção.

Existe uma cena pós-creditos que sinaliza a vinda de um décimo filme, fica a expectativa para que nesse venha algo diferente. Nesse atual, o que agrada bastante é o número de vezes que Brian é citado durante o filme, dando a entender que supostamente o personagem volte a aparecer no futuro, ideia que seria bem vinda e que serviria para gerar um buzz, assim como foi o quinto filme que fez questão de vim até o Rio de Janeiro.

Velozes & Furiosos 9 tem uma única função. Divertir. Como qualquer outro longa-metragem da franquia, ele faz isso bem, e garante um bom entretenimento para seu público e seus fãs. O conceito em amortecer a queda de alguém com o carro como se fosse um colchão é surpreendente, e isso não deve ser levado a sério, além do que gerar boas gargalhadas. Em um momento tão conturbado em que vivemos, só filmes como Velozes e Furiosos para nos desconectar da realidade.

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