O potencial perdido de “The Little Hours”


Um elenco fraco estraga um filme, mas um elenco forte não garante a qualidade da obra. É desse mal que a comédia The Little Hours sofre. A história se passa na idade média e tem como ambiente um pequeno convento habitado por personagens óbvios com comportamentos inusitados: freiras tempestuosas (Alisson Brie, Kate Micucci e Aubrey Plaza), padres mentirosos (John C. Reilly) e outros clérigos incomuns.

A trama se desenrola quando um nobre (Nick Offerman) descobre o adultério de sua esposa (Lauren Weedman) e manda caçar o amante (Dave Franco), que acaba se escondendo no convento se passando por um surdo-mudo. Com direção e roteiro do iniciante Jeff Baena (Vida após Beth, 2014), a comédia é baseada no Decameron, um compilado de contos escritos entre 1348 e 1353, reunidos por Giovanni Boccacio. A obra aborda questões que vão do erótico a trágico, dando um cenário cómico de situações vividas na idade média.

Com essa pequena sinopse, tendemos a lembrar de “Monty Python em busca do Cálice Sagrado”, mas The Little Hours (ainda sem tradução no Brasil) peca em não abraçar o pastelão, como fez o clássico de 1975. A premissa é boa mas o humor se perde em meio a situações constrangedoras sem graça. Salvo algumas ocasiões como os ataques histéricos das freiras, a confissão do amante e o julgamento eclesiástico. A direção de Jeff Baena não inova e a fotografia foge do padrão escuro que costuma retratar a “idade das trevas”. A ambientação de tempo não foi uma preocupação da produção. Os personagens falam de forma atual chegando até a usar gírias.

O que poderia servir como atrativo para The Little Hours acabou sendo a principal decepção. Estrelas da comédia como Molly Shannon, Alisson Brie e John C. Reilly não são exploradas pelo roteiro. Um exemplo é Aubrey Plaza, que dá vida a freira Fernanda. Sua trajetória poderia garantir mais momentos divertidos, mas fica aquém do esperado. Outro problema é o sub uso de personagens como os de Nick Offerman (lorde Bruno), John Gabrus e Adam Pally (guardas Gragorio e Paolo). Ponto positivo para Fred Armisen (bispo Bartolomeu), que apesar do pouco tempo em tela, consegue divertir bastante.

Para finalizar, um recado para os fãs de comédia: não vá com muita sede ao pote. The Little Hours diverte, mas é esquecível. O que poderia se tornar um clássico não passa de mais um besteirol americano.

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