O terror sob a perspectiva de Jordan Peele

O terror sob a perspectiva de Jordan Peele

De comediante a um dos mais cotados nomes para as atuais produções hollywoodianas. Jordan Peele, com seus 40 anos idade, é sinônimo de sucesso desde o lançamento de seu primeiro e aclamado pela crítica, “Corra!“, de 2017. Se utilizando de novas ferramentas para fazer do seu terror, uma visão singular, a parte dos demais projetos vistos por aí, Peele tem se destacado no mercado por harmonizar bem conteúdos que até então, nunca foram abordados em filmes comuns do gênero.

A fim de ganhar uma nova visão sob o espectro de assuntos inquietantemente presentes em nosso cotidiano, Peele vai além da superfície, criando uma espécie de experimento visual e social a cada nova obra sua realizada. Frequentemente comparado ao estilo de Alfred Hitchcock ou até mesmo de Steven Spielberg, que transbordam genialidade em sua filmografia, o diretor não se prende a rotina eventual de acontecimentos de um longa, destorcendo o que nós, espectadores esperamos que aconteça. Essa criação de uma improvável tensão, é sem sombra de dúvidas, a sua maior especialidade.

Para o meu segundo longa-metragem, eu queria criar uma saga. Eu queria fazer algo que fosse mais firme no gênero de terror, mas que ainda perseverasse meu amor por filmes que são distorcidos, mas divertidos“, disse Jordan em uma de suas entrevistas. A ideia aqui é de que ainda que a película se crave em uma ambientação já conhecida pelo público, é inevitavelmente certo que os plot twits aplicados serão consistentes a essência carregada desde o princípio de sua narrativa. O inimaginável deve acontecer, e a simplicidade nisto é a parte mais assustadora.

Analisando a anatomia de suas cenas e os enquadramentos, é inegável que tudo seja meramente um frame. Se utilizando de atributos clássicos do gênero, o cineasta consegue surpreender subvertendo até os momentos mais banais. Em “Corra!”, a cena onde Chris é hipnotizado pela a senhora Armitage, é um exemplo claro de como o jogo de câmeras pode trabalhar em prol de uma sequência assustadoramente convincente. Quando o protagonista se vê enclausurado em sua própria consciência, se questionando se aquilo é real ou não, compreendemos os seus medos sob um novo ponto de vista.

O fenômeno do mundo do entretenimento, está a bordo de algumas das propostas mais interessantes desse ano. Na lista de projetos para estrear em 2019, nos quais está envolvido, estão as séries “Lovecraft Country”, da HBO, “The Hunt”, na Amazon Prime Video, “Weird City” no YouTube e a aguardada refilmagem de “The Twilight Zone”, para a rede de televisão CBS. Com uma agenda cheia, é certo afirmar que o diretor trilha um caminho diverso sem se prender a um único formato, apostando em todas as vertentes que sua criatividade possa lhe render. Bom para seu currículo e excelente para nós, como público e fãs de sua obra.

Indo da fantasia ao real, é quase tangível a concepção que nos é imediatamente apresentada em seus trabalhos. Dito isto, seja como produtor, como diretor ou como roteirista, Jordan Peele se coloca em uma posição muito interessante, trazendo peculiares características em seus personagens que transportam a história um significado muito maior do que somente horror. O medo incorporado a “Corra!” e agora em “Nós“, é puramente universal, e se algum ser-humano é incapaz de observar isso, é porque algo está errado.


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