“Os Caras Malvados”, de Pierre Perifel serve como lição de moral no universo das fábulas

“Os Caras Malvados”, de Pierre Perifel serve como lição de moral no universo das fábulas

Depois de conquistar os fãs de animações consolidando franquias como “Shrek“, “Como Treinar o Seu Dragão” e entre outras, a DreamWorks oferece agora outro filme que pode ser considerado uma surpresa positiva para o gênero de animação em 2022. A nossa próxima viagem para o mundo dos animais é através de “Os Caras Malvados“, dirigido por Pierre Perifel, baseado na série de livros de Aaron Blabey, que se concentra em uma equipe de bandidos conhecidos por roubar objetos de valor em assaltos bem planejados, nos fazendo lembrar de “Onze Homens e um Segredo“.

Nunca houve cinco amigos tão infames quanto Os Caras Malvados – o arrojado batedor de carteiras Sr. Lobo (Sam Rockwell), o arrombador de cofres Sr. Cobra (Marc Maron), o mestre do disfarce Sr. Tubarão (Craig Robinson), o pavio curto Sr. Piranha (Anthony Ramos) e a Sra. Tarantula (Awkwafina), especialista em hackear qualquer coisa. Após anos de ​​assaltos bem sucedidos e sendo os vilões mais procurados do mundo, a gangue é finalmente capturada. O Sr. Lobo faz um acordo (que ele não tem intenção de cumprir) para salvá-los da prisão: os bandidos irão se tornar bons. Sob a tutela de seu mentor Professor Marmelada (Richard Ayoade), um porquinho-da-índia. Ao longo do caminho, o Sr. Lobo começa a suspeitar que fazer o bem de verdade pode lhe dar o que ele sempre desejou secretamente: aceitação. Então, quando um novo vilão ameaça a cidade, o Sr. Lobo consegue convencer o resto da gangue a se tornar… os heróis?

O Lobo sempre tem fama de ser um cara mau em qualquer filme, principalmente em animações, certo? Na maioria das vezes os lobos são sempre vistos como uma espécie de vilão. O mesmo vale para tubarões, cobras, piranhas e aranhas. Mas e se esses animais fossem apenas incompreendidos e unicamente precisassem da chance de provar o contrario? Essa é a ideia inicial que Pierre Perifel aborda na sua estreia dirigindo longas-metragens. “Os Caras Malvadas” começa fazendo mais do mesmo, exercendo que esses animais cumpram o papel que eles estão acostumados a fazer, ser vilões.

No decorrer da produção vemos que o quinteto, que é formado por bichos carrascos, está disposto a mudar, mesmo que seja de mentirinha. Da mesma maneira que o filme traz essa alegoria, ele também acaba levantando questionamentos que já vimos em outro filme. Por trabalhar a dinâmica de interatividade entre os animais e as características da personalidade de cada figura representada no longa, soa injusto fazemos julgamentos a animais e suas particularidades de sua natureza, como se fosse a única forma deles conviverem em sociedade. Isso vemos se repetir em diversos filmes, sendo que aqui e até mesmo em “Zootopia” esse paradigma é quebrado através de uma raposa tendo um cargo público ou uma coelha sendo policial.

Em seus primeiros minutos, a produção tem Lobo e Cobra tendo uma conversa descontraída em uma cafeteria, ao redor às pessoas (humanos, não animais) estão todas assustadas com a presença de ambos. Eles se levantam e um plano longo, com poucos cortes, acompanha a dupla até o banco do outro lado da rua onde eles fazem um assalto. Em seguida uma perseguição de carro acontece, nela temos a quebra da quarta parede, piadas, música, ação e principalmente a apresentação de toda equipe, permitindo que cada personagem brilhe da sua maneira, conforme seus atributos.

Em certos momentos o roteiro escrito por Etan Cohen e Hilary Winston acaba se tornando previsível, por exemplo, quando toda equipe está em apuros surge um personagem disfarçado para ajuda-los, quando ele decide revelar sua identidade não gera surpresa. Além disso, o vilão do filme também é um ser “misterioso” que está a todo momento tendo contato com os cinco amigos, então se você prestar atenção em algumas atitudes que ele toma, provavelmente vai conseguir descobrir quem é. Entretanto, o mais problemático da película é a falta de explicação de termos dois punhados de animais vivendo em sociedade como se fosse pessoas junto com pessoas e ninguém se quer levanta esse questionamento.

Se tratando dos recursos técnicos, “Os Caras Malvadas”  está longe de ser um primor, mas ainda consegue ser agradável visualmente quando une o formato 2D com 3D, parecendo levemente similar a “Homem-Aranha no Aranhaverso“, principalmente se tratando na movimentação em alguns frames. Tem vezes que a fotografia tem cores bem vivas, mas já em ambientes fechados acaba se tornando escura, passando até do ponto, mas nada que não atrapalhe o entretenimento oferecido pela animação.

Pierre Perifel nos propõe bastante carisma com “Os Caras Malvadas”. Animais se comportando como pessoas está longe de ser uma novidade, mas acaba convencendo quando ele decide quebrar alguns estereótipos que estamos acostumados ver em fábulas que são transmitidas em animações cinematográficas. Se serve de dica, Perifel possui um curta chamado “Bilby” que vale a pena ser conferido e reafirma o quanto ele é um cineasta que pode agregar positivamente para quem é fã de animações.

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