“Predadores Assassinos”: O absurdo é puro entretenimento

Se tratando de filmes que abordam a temática de um animal selvagem caçando o homem, podemos considerar que “Tubarão“, dirigido por Steven Spielberg é um filme referência para esse gênero. Porém, quem faz cinema jamais deixaria de explorar essa narrativa com outros predadores. Nesse aglomerado de premissas, já tivemos dinossauro, cobra, leão, piranha, orca e entre outros. Porém, uma enxurrada de jacarés retornam ao cinema acompanhados de um furacão em “Predadores Assassinos“, novo longa dirigido por Alexandre Aja.

Em “Predadores Assassinos“, o estado da Florida está sob aviso de evacuação em alguns locais por conta de um furacão de categoria cinco, com isso, Haley (Kaya Scodelario) procura seu pai, Dave, (Barry Pepper) que está em uma dessas áreas de risco, mas logo ela se vê presa com ele na antiga casa da família cercada por jacarés.

Esse novo projeto de Alexandre Aja pode ser semelhante a alguns outros do gênero, já que a maioria das vezes só muda o tipo de animal, mas as situações de pânico acabam sendo sempre as mesmas. Aqui ele consegue excluir a ideia do cientista maluco que dá inteligência aos jacarés, e coloca a “culpa” em um fenômeno da natureza, o tornado o grande motivo da invasão dos animais em um ambiente frequentado por pessoas. 

Aja é justo em determinados momentos com quem está assistindo seu filme. Pensar que uma catástrofe pode unir dois mundos que não estão habituados em conviver juntos é algo plausível. Porém, filmes desse tipo estão acostumados a falhar, mas calma, existem mais pontos positivos do que negativos em “Predadores Assassinos“.

O ponto alto do filme se chama Kaya Scodelario. A atriz entrega uma performance emocional nos momentos dramáticos e quando se trata de cenas que exigem do físico, ela não deixa a desejar por já está acostumada com filmes de ação. Já Barry Pepper, faz o pai motivacional que discursa sobre sentimentos que cercam uma família. Apesar de existir uma desavença entre os personagens dos dois, rola uma boa química para lhe dar com os acontecimentos.

Por meio de flashbacks, Aja e o roteiro dos irmãos Michael e Shawn Rasmussen desenvolvem uma relação entre pai e filha no passado. Isso é entendível, mas acaba sendo desnecessário para o filme, já que não existe algo mais comovente do que uma filha enfrentar uma tempestade para salvar o próprio pai. Parte da projeção o furacão acaba sendo esquecido, já que no primeiro ato Haley e Dave estão presos em um porão com dois jacarés tentando devorá-los. Momentos que rendem cenas bem dirigidas.

Sim, aqui também rolam cenas absurdas no qual fazem os personagens não acreditarem no que está acontecendo, onde eles mesmos acabam dizendo: ‘Ta de brincadeira!‘. Os protagonistas são atacados, abocanhados e em alguns momentos acabam saindo ilesos. Para não ficar nessa monotonia, o diretor teve que acrescentar personagens para matar a fome dos predadores. 

Falando especificamente sobres os jacarés, eles estão muito bem desenvolvidos com um CGI convincente. A movimentação deles está dentro dos padrões, e acaba sendo um suspiro de alívio os animais não terem o dobro dos sentidos que eles costumam a ter. 

Se por vezes o filme peca com a fotografia escura de Maxime Alexandre, a mixagem de som é bem captada que valoriza o barulho da água que inunda o porão e os rugidos dos animais. A trilha sonora traz um clima de dramaticidade e tensão, mas não é algo marcante, apesar de tocar “See you later alligator, de Bill Haley and Comets“, durante os créditos finais.

Por mais que o jump scares seja uma técnica que vem sendo discutida nos filmes de horror, Aja não tem vergonha de usar em “Predadores Assassinos“, e por incrível que pareça foi muito bem encaixado, já que não houve um uso exagerado. Calma, apesar da tradução do título (nome oficial da película: Crawl) do filme ser bem cafona, ele passa longe de ser isso. 

Definitivamente esse novo trabalho de Aja não é uma inovação para o gênero, mas ele consegue ser bom naquilo que se propõe em fazer. Embora ele tenha suas falhas, a produção se leva a sério e desvia do rótulo galhofa. Podemos considerar que esse longa-metragem seja uma boa surpresa para o gênero de terror nesse ano. “Predadores Assassinos” se beneficia do seu tempo de execução, no qual irá propor 87 minutos de pura diversão.


Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.

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