“Projeto Gemini” de Ang Lee traz nova tecnologia revolucionária à grande tela

Ang Lee, um cineasta que possui trabalhos com gêneros diferentes, somado a Will Smith e mais uma tecnologia que promete inovar o gênero de ação, parece a formula perfeita para um novo filme. Entretanto o resultado de “Projeto Gemini“, novo longa do diretor taiwanês passa longe da perfeição – mas não deixa de possuir seus méritos.

Henrry Brogen (Will Smith) é um assassino de aluguel que está pronto para se aposentar depois do seu último trabalho, mas ele não esperava que o seu final de carreira lhe traria tantas complicações ao ponto de ser alvo do próprio clone que é bem mais novo e possui habilidades mais aprimoradas.

A trama do longa-metragem de Ang Lee é semelhante a um filme genérico de espionagem, daqueles que a corporação que o protagonista trabalha se revolta contra ele e a todo custo quer tirar sua vida, sendo que essa rede de espiões não consegue, pelo simples motivo do alvo ser o melhor agente que ela já treinou. 

O que poderia ser uma surpresa no roteiro escrito pelo o trio Darren Lemke, David Benioff e Billy Ray, deixa de ser  novidade no momento que o espectador entra na sala de cinema sabendo que o antagonista da trama é um clone mais novo do personagem vivido por Will Smith, já que o material de divulgação do filme faz o favor de não guardar segredo. Outra artimanha fraquíssima do roteiro é revelar dois medos do protagonista no começo da projeção, e logo mais adiante o coloca perante essas fraquezas insinuando que aquilo pode derrotá-lo, mas no final ele sai sã e salvo. Vale lembrar que o clone é batizado como Junior.

Falando de Will Smith, sabemos que ele é um ator que já navegou por quase todos os gêneros, de comédia a ficção científica, mas o de ação é um que ele se encaixa muito bem. Na verdade, se não fosse por Will, “Projeto Gemini” seria algo tão esquecível como o restante do elenco que se encontra presente na projeção. Exemplo de Mary Elizabeth Winstead, que faz Danny, que está lá só para trocar alguns tiros e Clive Owen, que dá vida a Clay Verris, o tipico vilão que não suja as mãos.

Porém, nem tudo é terra devastada nesse filme de Ang Lee. Se tem algo para ser elogiado, são as sequências de ação que esse filme possui. Nada marcante, mas “Projeto Gemini” tem uma cena de perseguição de moto muito boa, e claro, a trocação constante de murros e pontapés entre Henrry Brogen e seu clone. Um fator interessante das cenas de ação, são as alternâncias para o plano de primeira pessoa, no qual faz parecer que estamos jogando vídeo-game. 

Outro mérito é a honestidade que o cineasta tem com público ao mostrar o CGI que reproduz Junior. Na maioria das vezes, o clone aparece apenas em cenas claras. Como notamos que Lee decide colocá-lo em um ambiente escuro, sempre surge uma luz para iluminar o personagem de alguma maneira. Por incrível que pareça, essa façanha de rejuvenescer um ator funciona mais quando está no escuro do que no claro, então é admirável a coragem do cineasta de usar ambientes mais claros.

Referente ao 3D+, ele promete ser uma tecnologia inovadora que é capaz de entregar mais imersão para quem está assistindo. A experiência em 3D+ traz imagens com mais profundidade, colocando o espectador no centro da ação e permitindo a percepção da cena de uma forma muito mais realista. Além disso, ela possibilita a projeção ser exibida em 60 quadros por segundo, representando mais que o dobro do formato que já conhecemos, que tem por base 24 quadros. Recordando que originalmente o filme é filmado em 120 quadros por segundo, porém, poucos cinemas no mundo são equipados para exibir da forma que foi filmado.

Aos meus olhos, ficou nítido que em algumas das sequencias de ação, a troca de golpes ficou mais fluida e bem mais “próxima” de quem assiste. Não tem como não imaginar o novo Matrix ou até mesmo mais um filme do Creed com esse 3D+. Não quero dizer que a tecnologia foi utilizada no filme errado, mas parece que ela está nesse filme apenas para ser apresentada e vendida para o estúdio que tenha interesse de utilizá-la em um futuro projeto. 

No final das contas, toda a discussão em torno de “Projeto Gemini“, é motivada pela magia tecnológica que foi criada para a sua ação. Quem só quer ver o Will Smith disparando armas e lutando contra ele mesmo, ficará satisfeito com o novo trabalho de Ang Lee, porque, infelizmente não há tecnologia que salve um roteiro rodeado de clichês.


Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.

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