“Sonic 2”, de Jeff Fowler expande de maneira agradável o universo do ouriço azul da Sega

“Sonic 2”, de Jeff Fowler expande de maneira agradável o universo do ouriço azul da Sega

São poucas as franquias de videogames que migraram para o cinema, que obtiveram sucesso e agradaram os fãs mais fervorosos. Nos últimos anos tivemos um punhado de jogos virando filmes bem esquecíveis e que não agradou muita gente. Se excluindo dessa seleção, tivemos “Sonic” (2020), dirigido pelo o cineasta americano Jeff Fowler, o projeto tinha tudo para ser rejeitado graças ao primeiro visual apresentado do ouriço azul, porém alterações foram feitas e o primeiro longa ganhou uma parcela de admiradores no qual serviu para ter uma continuação. Em “Sonic 2“, Fowler chega com a missão de amadurecer o seu projeto e expandir o universo de vez.

Depois de se estabelecer em Green Hills, Sonic (Ben Schwartz) está ansioso para provar que tem o que é preciso para ser um verdadeiro herói. Seu teste vem quando o Dr. Robotnik (Jim Carrey) retorna, desta vez com um novo parceiro, Knuckles, em busca de uma esmeralda que tem o poder de destruir civilizações. Sonic se une a seu próprio ajudante, Tails (Colleen O’Shaughnessey), e juntos eles embarcam em uma jornada pelo mundo para encontrar a esmeralda antes que ela caia em mãos erradas.

Apesar de que o personagem mais icônico da história da Sega seja conhecido por sua velocidade, “Sonic 2”, de Fowler, não ver problemas em fazer piadas em ralação a utilizar a velocidade do ouriço, para ser direto, existe momentos que o filme é escrachado nesse sentido, explorando essa característica do personagem. Entretanto, o trio de roteiristas Josh Miller, Patrick Casey e John Whittington fazem do protagonista uma máquina de piadas verbais. Vemos um repertório diversificado quando Sonic decide ser um humorista. Podemos considerar que a direção de Fowler é bastante comprometida com personagem central da trama e faz ele brilhar quando necessário.

Chega ser impressionante ver alguém do tamanho de Jim Carrey em um projeto como esse. Nos faz levantar o seguinte questionamento: será que a carreira de Carrey está chegando ao seu fim? quero acreditar que não. Mesmo tento o nome de Jim em seu elenco, a produção não tira o melhor proveito disso. Além de termos um Sonic bem comediante, lógico que o Robotnik vivido por Carrey também seria, e isso chega ser bem previsível. Antes de presenciarmos o vilão entrar em uma ação física, tudo que presenciamos antes são palavras malignas enquanto endireita o seu bigode que impõe respeito.

O primeiro longa foi sobre introduzir Sonic para pessoas não familiarizados com o jogo da Sega, já esse segundo longa-metragem aproveita o momento para expandir o universo. “Sonic 2” apresenta alguns novos personagens: o fiel companheiro Tails e um dos antagonistas, Knuclkes (Idris Elba). Todos esses personagens funcionam muito bem quando se unem em tela e conseguem entregar uma aventura divertida. Conseguimos notar a ira de Knuclkes, a fidelidade de Tails e até mesmo a preocupação de Sonic com seus amigos.

Porém nem tudo chega ser maravilhoso. O momento mais “tedioso” aqui é quando a direção de Jeff Fowler decide focar nos humanos. Os pais adotivos de um ouriço azul, Tom (James Marsden) e Maddie Wachowski (Tika Sumpter) passam boa parte do filme longe da aventura que o protagonista está vivendo. Eles estão em um casamento de um parente no Havaí. Esse casamento se transforma em um segundo enredo que acaba se destoando da principal narrativa, apesar de se mostrar relevante para ela. Entretanto, os cortes frequentes interrompem o fluxo narrativo de Sonic tentando vencer Robotnik e Knuclkes na corrida pela Esmeralda Mágica.

Apesar da produção trazer uma mensagem genérica sobre união familiar, exigir que “Sonic 2” seja algo mais profundo é mau-caratismo. O filme consegue oferecer entretenimento para o seu público-alvo, talvez decepcione fãs de uma geração mais antiga, porém, temos que admitir que o universo que está sendo criado pelas mãos de  Jeff Fowler é sustentável e bom naquilo que se propõe em fazer. Particularmente falando,  “Sonic 2” acaba sendo uma surpresa positiva nesse ano e a única ação que devo fazer sobre o filme é aconselhar você ir assistir.

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