Quatro atores que viraram diretores recentemente

Já estamos na metade do primeiro mês do ano, com ele começamos uma temporada com mais uma leva de novos filmes, atores e diretores de todos os gêneros. Mal podemos esperar para todos os lançamentos que esse ano nos reserva. Porém,  mesmo com ‘o novo’ em andamento, não podemos esquecer do passado, exclusivamente do último ano.

Como de costume, a cada temporada somos agraciados com excelentes produções de diretores renomados, mas algo que marcou o último ano foi a estreia de atores iniciando as suas carreiras como cineastas. Vimos atores saindo da zona de conforto, deixando por algum tempo o trabalho de atuação para assumir a cadeira de direção para gritar ‘ação!’.  Dito isso, decidimos listar alguns nomes que entregaram ótimos longas. Confira a nossa lista de quatro atores que se tornaram diretores no ano passado.


1) Bradley Cooper

Todos nós sabemos que a estrela principal de “Nasce Uma Estrela” é Lady Gaga. A maioria dos elogios estão voltadas para a cantora que teve seu primeiro trabalho de atuação no cinema nesse drama musical de 2018. Porém,  não podemos esquecer do nome de Bradley Cooper. Além de dirigir, ele também está atuando no próprio filme, e por isso vale dizer que o papel de Cooper como diretor e até mesmo como ator seja mais relevante que a estrela principal da produção. Para um título que já teve quatro versões antes da de Cooper, o diretor conseguiu vencer o desafio e agregou elementos diferentes para sua versão. Com essa e outras características seu filme se tornou um dos mais relevantes do ano passado.


2) Paul Dano

Se tinha alguém que mereceu se aventurar como cineasta, esse é Paul Dano. Como ator, e agora como diretor, o nome de Dano é para ser levado a sério no ramo. O jovem cineasta de 34 anos estreou com “Vida Selvagem“, um longa metragem sobre laços familiares, mas laços bem distantes dos que conhecemos. Longe de ser uma produção badalada, mas mesmo assim tendo nomes como de Jake Gyllenhaal e Carey Mulligan, o filme de Dano é uma boa entrada para uma possível safra de diretores que está por vim. Esperamos que a carreira de diretor não seja apenas uma aventura para Paul Dano.


3) Murilo Benício

Talvez o primeiro trabalho de direção de Murilo Benício tenha passado despercebido por muita gente, “O Beijo No Asfalto” chegou aos cinemas já no finalzinho do ano passado, no mês de dezembro, para ser mais preciso. O filme é a uma adaptação ousada e diferente, que mescla teatro e cinema em preto e branco, no qual torna um trabalho totalmente autoral de Benício. Veremos se nos próximos trabalho o diretor irá manter o mesmo estilo de direção ou vai fazer algo totalmente diferente do que é o seu primeiro longa. Vale lembrar que o filme conta com grandes nomes da dramaturgia nacional, como o de Fernanda Montenegro.


4) Jonah Hill

Mesmo sendo um ator que fez inúmeras comédias, Jonah Hill já estava traçando um caminho diferente das atuações. Por anos ele já vinha roteirizando alguns logas e até mesmo se envolveu na produção de outros projetos, como a série original da Netflix, “Maniac“. Agora, o ator deu um passo a mais em sua carreira e decidiu dirigir o própria longa-metragem, que se trata de “Mid90s“. Habituado na década de 90, o longa aborda a cultura bairrista do skate de rua. No longa nos é apresentado todos os detalhes da paixão de quem vive ou de quem já viveu esse estilo de vida. Por tratar de Jonah Hill, era comum imaginar uma comédia pastelão em seu primeiro trabalho, mas “Mid90s” é um dos projetos mais maduros na vida Hill.




“O Beijo No Asfalto” | Primeiro filme dirigido por Murilo Benício estreia nesta quinta-feira

Sendo o primeiro trabalho de direção do ator Murilo Benício, “O Beijo No Asfalto” teve seu trailer divulgado. O longa tem estreia marcada para seis de dezembro, quinta-feira. Numa adaptação ousada e diferente, que mescla teatro e cinema em preto e branco, o longa traz um elenco de peso: Fernanda Montenegro, Débora Falabella, Lázaro Ramos, Stênio Garcia, Otávio Müller e Augusto Madeira.

Na trama, Lázaro Ramos vive Arandir, um homem que, sem pensar, atende ao pedido de um beijo na boca feito por outro homem prestes a morrer ao ser atropelado na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro. Tal gesto banal vira uma matéria sensacionalista de Amado (Otávio Müller), um repórter que cria uma fake News e passa a explorar o beijo entre dois homens para vender mais jornal. A versão criada pelo jornalista incita a polícia a investigar uma suposta ligação entre Arandir e o morto e cria dúvidas na cabeça de Selminha (Débora Falabella), mulher de Arandir e filha de Aprígio (Stênio Garcia), que, misteriosamente, insiste na ideia de que presenciou o beijo, quando, na verdade, estava de costas.

Exibido na 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o elenco é um dos grandes destaques do filme. Vale lembrar que “O Beijo No Asfalto” estreia nessa quinta-feira, seis de dezembro.


Assista ao trailer!

“Noite na Taverna” e “O Animal Cordial”

Depois, as aves do mar já baixavam para partilhar minha presa; e às minhas noites fastientas uma
sombra vinha reclamar sua ração de carne humana…
Lancei os restos ao mar…
Eu e a mulher do comandante passamos um dia, dois, sem comer nem beber…
Então ela propôs-me morrer comigo. — Eu disse-lhe que sim. Esse dia foi a última agonia do
amor que nos queimava: gastamo-lo em convulsões para sentir ainda o mel fresco da voluptuosidade
banhar-nos os lábios… Era o gozo febril que podem ter duas criaturas em delírio de morte.

Citação encontrada no envólucro poético “Noite na Taverna“, do ultrarromancista Álvares de Azevedo. Abro o texto dessa forma pois acredito ser uma interessante comparação narrativa. O romancismo, enquanto estilo literário, flerta de maneira constante com o terror. Não necessariamente no gênero como um todo, mas abraça o surrealismo e o torna quase jocoso, anedótico. Um certo escapismo para tornar as situações consideradas inumanas, válidas.

O “Animal Cordial“, filme de terror e suspense dirigido por Gabriela Amaral Almeida, fez sua estréia em salas de cinema durante o Festival de Cinema de Toronto, no Canadá, antes de vir para o Brasil. A cineasta, também criadora do argumento – junto de Luana Demange -, concluiu sua tese de mestrado com foco no gênero do terror e o credita como alegórico e temático à morte, rumando contrário no pensamento, valorizando a vida na verdade.

A história de O Animal Cordial apresenta o restaurante de Inácio (Murilo Benício), um dono egôcentrico, instável e punitivo. No único ambiente do filme, as outras personagens vão se apresentando. A devota e atenciosa garconete Sara (Luciana Paes), o decisivo e independente chefe de cozinha Djair (Irandhir Santos), os clientes remanescentes da noite; o aparente solitário Amadeu (Ernani Moraes), o casal burguês Bruno (Jiddu Pinheiro) e Verônica (Camila Morgad).

Há um conflito iminente já de imediato ao filme, partindo desde as relações entre patrão-funcionário quanto de cliente-funcionário. Tudo reluz em primeiro momento à Sara (enquanto desfavorecida socialmente) e Verônica (financeiramente bem-sucedida, com características blasé e esnobe), como também Djair (nordestino, LGBT e negro) e Inácio (soberbo, egoísta e preconceituoso). Cito essas dicotomias sociais nas personagens pois são essas mesmas que conduzem o véu cinza e conflitante de O Animal Cordial, enquanto impositivo real.

O surrealismo torna vivo e cru, como carne vermelha, a partir do momento que o restaurante é assaltado pela dupla Magno (Humberto Carrão) e Nuno (Ariclenes Barroso). Não somente pelo acontecimento climático, que exige uma reação imediata por parte da vítima, independente de qual seja. Mas pelas consequências dentro de um único ambiente. É o início da guia sangrenta, das cenas calaminosas e aviltantes, sendo base para uma incompreensão lógica.

Gabriela, em entrevista ao programa “O País do Cinema”, do Canal Brasil, diz que o terror não é somente um gênero pelo qual é apaixonada, mas um filtro em como perceber o mundo e suas transformações. Quando estava maturando a ideia de O Animal Cordial, Gabriela presenciava a série de manifestações violentas que aconteciam entre 2014 e 2015; contra alunos, professores, servidores de estado; enfim, pessoas repreendidas pelo direito de manifestar.

Essa violência impositiva, autoritária e inconsequente mede as ações das personagens após o evento conflitante. Para exemplificar o deslocamento social do lugar, funcionando como uma espécie de espaço fantasioso, os artifícios são desde os mais técnicos, como o uso de trilha sonora com sintetizadores e batidas eletrônicas em alta frequência, alusando ao giallo – movimento cinematográfico de terror e fantasia italiano – e o modo slasher, que constitui no modo de eliminação 1 por 1, além da violência gráfica explícita.

No entanto, o longa-metragem brasileiro ultrapassa suas próprias referências ao pontuar duas narrativas: fazer esse espelho em modo temático e irreal de uma sociedade brasileira cada vez mais instável e violenta, seja pelo descrédito à democracia ou pela sintomática discordância de ideias e transformar Sara como um vernáculo de toda essa manifestação e glorificação do absurdo. Que em dado momento, deixa de ser. Todos os acontecimentos, ao beirar o cúmulo, se tornam suscetíveis e compreensíveis.

Contexto, ambiente, espaço-tempo impactando no convívio, concretizando o que estava sendo premeditado. Sara é um espetáculo narrativo porque através dela, micro-histórias de sobrevivência insana estão sendo contadas, valorizando cada quadro, seja por sua estética azul e frívola, ou pela descrença do indivíduo enquanto ser passível de bondade. Animosidade é um componente presente no homem, mas repelido pela natureza social e de relações mantidas ao longo do tempo.

De uma situação quase-cotidiana em um restaurante na esquina de nossa cara para uma regressão cavernal. A carne reconfigura. Morre o tom analógico, metafórico para ascender o literalismo. A composição de O Animal Cordial, enquanto roteiro, montagem, personagens, é uma figura sarcástica, irônica. Ri do agradável, do acolhedor para saciar-se perante a loucura, mesmo sabendo que isso é só questão de uma noite ruim. O “cordial”, pronome do título do filme, é um sarcasmo próprio.

Como conta também Gabriela ao mesmo programa, “Sara é uma personagem que reúne as dificuldades da mulher existir socialmente. A falta da sensualidade, a falta da cordialidade, de ter uma determinada aparência”. Ela assume o protagonismo quando inicia o processo de rompimento das dificuldades, tornando-se necessariamente um fascínio consigo mesma. É de fato, o próprio animal cordial, ao derramar sangue para interromper o aprisionamento e a tortura antinatural.


“O Beijo No Asfalto”, que marca estreia de Murilo Benício como diretor, chega aos cinemas em dezembro

Murilo Benício faz sua estreia na direção no filme “O Beijo No Asfalto“, peça escrita por Nelson Rodrigues e encenada pela primeira vez nos palcos em 1961. O filme promete ser uma adaptação ousada e diferente, que mescla teatro e cinema em preto e branco.  Com lançamento marcado para o dia 6 de dezembro, o longa traz um elenco de peso: Fernanda Montenegro, Débora Falabella, Lázaro Ramos, Stênio Garcia, Otávio Müller e Augusto Madeira.

Em “O Beijo No Asfalto“, Lázaro Ramos vive Arandir, um homem que, sem pensar, atende ao pedido de um beijo na boca feito por outro homem prestes a morrer ao ser atropelado na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro. Tal gesto banal vira uma matéria sensacionalista de Amado (Otávio Müller), um repórter que cria uma fake News e passa a explorar o beijo entre dois homens para vender mais jornal. A versão criada pelo jornalista incita a polícia a investigar uma suposta ligação entre Arandir e o morto e cria dúvidas na cabeça de Selminha (Débora Falabella), mulher de Arandir e filha de Aprígio (Stênio Garcia), que, misteriosamente, insiste na ideia de que presenciou o beijo, quando, na verdade, estava de costas.

Além de um elenco estrelado, o filme conta ainda com uma equipe de grandes nomes, como o fotógrafo Walter Carvalho, direção de arte de Tiago Marques Teixeira, montagem de Pablo Ribeiro e trilha de Berna Ceppas. Além de dirigir, Murilo Benício é produtor e roteirista do filme. Com produção de Marcello Ludwig Maia, da República Pureza Filmes, o longa tem distribuição em circuito nacional pela ArtHouse.

Relembrando que “O Beijo no Asfalta” chega aos cinemas dia 6 de dezembro.

“O Animal Cordial”: Terror nacional estreia essa semana nos cinemas

O Animal Cordial“, dirigido por Gabriela Amaral Almeida, estreia nesta quinta-feira, 9 de agosto em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Salvador, Fortaleza e Goiania.  Produzido por Rodrigo Teixeira, da RT Features, com coprodução do Canal Brasil e distribuição da California Filmes, o longa é o primeiro slasher movie (subgêneros do terror, caracterizados, dentre outras marcas, pelo uso de violência gráfica extrema) dirigido por uma mulher no Brasil.

A história se passa em uma única noite em um restaurante de classe média alta em São Paulo que é invadido, no fim do expediente, por dois ladrões armados. O dono do estabelecimento, o cozinheiro, uma garçonete e três clientes são rendidos e precisam lidar com a situação. O local torna-se palco dos mais diferentes embates: empregados x patrão; ricos x pobres; homens x mulheres; brancos x negros. Civilização e barbárie: os dois conceitos se alternam na claustrofobia de um espaço, que vai sendo desconstruído à medida que soluções “cordiais” se tornam impossíveis.

O filme tem no elenco Murilo Benício (Inácio), o dono pacato do estabelecimento, Luciana Paes (Sara), a fiel garçonete do restaurante, Ernani Moraes (Amadeu), Jiddu Pinheiro (Bruno) e Camila Morgado (Verônica) como os fregueses, e Irandhir Santos na pele do cozinheiro (Djair). Completam o elenco Humberto Carrão, Ariclenes Barroso, Thais Aguiar, Eduardo Gomes e Diego Avelino.

O Animal Cordial” teve sua estreia mundial no 21º Fantasia International Film Festival no Canadá, um dos mais tradicionais festivais dedicados a filmes fantástico, de horror, terror e demais subgêneros no mundo. Depois da estreia, seguiu para Sitges (Espanha), L’Etrange (França), Razor Reel Flanders Film Festival (Bélgica), dentre outros festivais que celebram o gênero do horror e do fantástico.

O longa deu a Murilo Benício o prêmio de Melhor Ator no Festival Internacional de Cinema do Rio, em 2017, e os prêmios de Melhor Atriz e Melhor diretora para Luciana Paes e Gabriela Amaral Almeida no FantasPoa 2018.

Vale lembrar que “O Animal Cordial” tem sua estreia nessa semana, quinta-feira, dia 09. Você pode assistir ao trailer do filme logo abaixo.


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