“The Batman”, de Matt Reeves se distancia do atual cenário estabelecido em filmes de super-heróis

“The Batman”, de Matt Reeves se distancia do atual cenário estabelecido em filmes de super-heróis

Depois da aclamação que “Coringa” (2019) teve, estava obvio que o gênero de super-heróis ganharia um novo formato no qual diz que filme de herói não precisa ser apenas filme de herói. Com “The Batman“, dirigido por Matt Reeves, um extenso épico de 176 minutos (3hrs) que por vezes se parece mais com filmes como “Se7en” e “Zodíaco” do que qualquer outra coisa que a Warner Bros produziu sobre a DC Comics e do que a Disney fez sobre a Marvel. O que posso dizer, que esse tal formato que cito chegou forte, para melhorar ou para piorar esse gênero que conquistou uma legião de fãs. No atual momento, ele é bem vindo, só espero que os cineastas e os empresários não o saturem.

Em uma Gotham mais sombria do que nunca, Bruce Wayne (Robert Pattinson) vive distante na melancólica torre Wayne, sendo cuidado por seu mordomo Alfred (Andy Serkis). Com uma narração Bruce explica como se passaram vinte anos desde que seus pais foram assassinados e complementa contando quando decidiu vestir o capuz e a capa pela primeira vez. Como de costume, a cidade é dominada por gangasters como Carmine Falcone (John Turturro) e Pinguim (Colin Farrell), geralmente esses malfeitores seriam facilmente dominados se James Gordon (Jeffrey Wright) não fosse o único policial confiável, ou se todos os outros funcionários públicos não estivessem corrompidos. Entretanto, o que mais preocupa o homem morcego é o surgimento de um assassino em série, Charada (Paul Dano), que faz justiça de uma maneira diferente que o Batman costuma fazer.

Em “The Batman” Matt Reeves estabelece a maior característica que o personagem mais famoso dos quadrinhos possui: A inteligência e como ele a utiliza para ser um detetive. O Charada navega em uma mar de sangue, matando e desmascarando as figuras corruptas de Gotham, a cada vítima ele deixa para Batman um enigma escrito em um cartão de felicitações – uma das algumas referências que o longa possui sobre os filmes de David Finhcer. Esses quebra-cabeças desafia o protagonista, que por vezes precisa da ajuda de Alfred para desvendar cada um deles. Além de Alfred e Gordon, Batman possui Selina Kyle/Mulher-Gato vivida por Zoë Kravitz. Ela trabalha como garçonete em uma boate pertencente a Falcone, onde policias e corruptos se unem para beber, se envolver com mulheres e principalmente tratar de negócios. A vida de Selina é interrompida pela chegada de Batman, que está procurando a colega de quarto dela, uma mulher que pode está envolvida com o prefeito Mayor Don Mitchell (Rupert Penry-Jones). O sequestro da colega de quarto une os dois em busca dela.

Reeves propõe uma perspectiva bem alinhada para os personagens, principalmente através das coreografias nas cenas de luta. Graças a Pattison e Kravitz, Batman e Mulher-Gato possuem química e uma tensão sexual está presente. Em uma determinada cena, os dois se escondem atrás de uma parede e seus corpos ficam colados, ela se aninha no corpo dele, parecendo que eles são um único ser respirando pelo batimento cardíaco. Kravitz está longe de ser uma Eartha Kitt ou uma Michelle Pfeiffer, mas a sua Mulher-Gato é perspicaz, furtiva, corajosa e por vezes rouba a cena.

Falando sobre os outros personagens, todos os atores conseguem entregar uma performance convincente. Como Colin Farrell, que de Pinguin está irreconhecível por debaixo de próteses e quilos de maquiagem. Particularmente falando, sou suspeito para comentar algo sobre Paul Dano, já que o ator está na lista dos meus favoritos. Mesmo ele possuindo pouco tempo de tela suas aparições são estrondosas, sua cara de inofensivo levanta o questionamento se realmente é o Charada que está por trás de todos os assassinatos que ocorrem.

Lógico que todos querem saber como está Robert Pattinson como Batman. Pattinson se provou como a melhor escolha para o papel. Seu cavaleiro das trevas é marcante, põe medo em seus inimigos (e no espectador), mas ainda é inexperiente naquilo que faz. Esse Batman é o mais humanizado que já tivemos nos últimos anos, ele possui a mesma carga dramática que os anteriores possuíam, porém, o de Pattinson é mais frágil, sofre com os golpes e por vezes se ver presente em situações de risco no qual precisa de ajuda. Além disso, esse Batman se sente mais cidadão de Gotham do que outros, ele sabe que a população precisa dele e ele está lá para ser a esperança dos seus conterrâneos.

A fotografia pesada que envolve uma mistura de claro-escuro está presente em todas as cenas, que não deixa de ser belo. Reevers e seu diretor de fotografia, Graig Graser, mantiveram a ação em planos completos, no entanto, na única sequência de perseguição com batmóvel, por mais que seja bem enquadrada possui um número de cortes excessivos. Os arranjos de Michael Giacchino oferece um tom de suspense que se casa perfeitamente com o clima noir que o longa-metragem possui, sem falar que ainda temos “Something In The Way“, do Nirvana tocando pontualmente.

Pelo o filme ser longo ele acaba esquecendo de elementos bons que foram implementados nos primeiros minutos, por exemplo, os inimigos possuem o medo de andar pela escuridão achando que o Batman vai está lá para pegá-los, isso funciona muito bem, mas acaba sendo esquecido. Alguns vilões também são abandonados por alguns momentos e outros acabam sendo descartáveis rapidamente. A produção também decide fazer algumas criticas sociais, algumas delas fazem sentido estarem presente já que temos um serial killer revelando a corrupção de muitos da cidade, inclusive uma da família Wayne, que deixa Bruce confuso por tudo que ele está lutando.

The Batman” não é o blockbuster megalomaníaco que os fãs esperam, talvez isso acabe decepcionando muita gente. No entanto a produção é um épico. Seria esse filme a virada de mesa que o gênero de super-heróis precisam para deixar de ser enfadonho? com o passar do tempo iremos descobrir. Esse longa-metragem de Matt Reevers deve dizer aos espectadores e principalmente aos aficionados mais calorosos que é possível ter filme de herói tendo outra roupagem, podendo ser assistidos fora das fórmulas que visa lucro apenas para lotar os cinemas.

ARTIGOS RELACIONADOS