“The Sisters Brothers”: Um faroeste sentimentalista dirigido por Jacques Audiard

Estamos em Oregon, 1851, quando Charlie (Joaquin Phoenix), anuncia, “Nós somos os The Sisters Brothers”, dando inicio ao novo filme dirigido por Jacques Audiard, “The Sisters Brothers“, é um faroeste obscuro, carismático e com uma dose de melancolia. Certamente é o esforço mais notório de Audiard para trabalhar com pouco prazo de tempo, economia curta e sem muita enrolação. Mesmo tendo nomes como: Jake Gyllenhaal, John C. Reilly, Riz Ahmed e o já citado Joaquin Phoenix em seu elenco, o filme está longe de ser comercial, mas tendo muita qualidade.

Os ‘The Sisters’ são dois caçadores de recompensas, que carregam um passado traumático em suas costas. Os irmãos trabalham para o Comodoro (Rutger Hauer), um rico magnata que fortalece seu “trabalho” empregando o par para se livrar de seus inimigos. Charlie, é um arrogante, beberrão, que está feliz com o seu estilo de vida, já Eli (John C. Reilly), o irmão mais velho é sensível e não curte esse estilo e começa planejar vagarosamente uma estratégia para abandonar esse modo de viver, no qual está repleto de sangue e selvageria. Do inicio ao fim a trama nos oferece esse duelo de personalidade entre ambos.

O destino da dupla é definido em um novo rumo quando eles são enviados em uma jornada pelo o Noroeste para encontrar o químico garimpeiro, Hermann Kermit Warm (Riz Ahmed) que pode ter inventado uma fórmula para encontrar ouro. O plano é encontrar-se com o servo John Morris, vivido por Jake Gyllenhaal, que está usando um sotaque bem diferente, mas que demostra educação em suas falas. Morris tem que entregar Warm aos irmãos, no entanto, ele se alia ao químico e ao seu objetivo. Pelas mudanças de plano, os “The Sisters” são forçados a andar por terras perigosas pela Califórnia, onde eles encontram conflitos, mostrando quem eles são e quem eles podem se tornar.

The Sisters Brothers” é uma adaptação do romance escrito por Patrick DeWitt publicado em 2011, no qual Audiard produz uma releitura cinematográfica do faroeste com uma onda de emoção. O filme é envolvente e sombrio, no qual possui uma superfície cômica, mas sua profundidade é violento, abusiva e traumática.

Dissertando um pouco sobre os protagonistas, uma coisa certa a ser dita é que Phoenix está mantendo o seu alto nível. Charlie é fácil de ser notado, por ser um personagem divertido, malicioso e ameaçador. Joaquin entrega um personagem carismático e antipático ao mesmo tempo. Porém, quem merece os méritos é John C. Reilly. Eli, seu personagem carrega consigo todos os temas existenciais mais importante do filme sobre personalidade. Sendo o irmão mais velho que é sensível. Durante o longa podemos presencia-lo sofrendo e se martirizando por tudo que está vivendo, mas sabe que está ali para cuidar do seu irmão mais novo de alguma maneira.

Uma prova que o roteiro do longa-metragem é tão bom (escrito pelo o próprio diretor Audiard junto com com Thomas Bidegain), que Jake Gyllenhaal e Riz Ahmed assumiriam papeis de coadjuvantes. Sem dúvidas, Jake tem peso e tamanho para ter sido um protagonistas, mas seu ambicioso e afetado Morris é fantástico. Gyllenhaal já tem personagens afetados em sua carreira, mas Morris é menos afetado que o Dr. Johnny Wilcox de “Okja” (2017) ou Louis Bloom de “O Abutre” (2014).

Benoît Debie acrescenta a “The Sisters Brothers” sua bela fotografia e Audiard mostra que aproveitou bem seu diretor de fotografia. Logo de inicio, depois da primeira linha de dialogo nos deparamos com um breu que vai sendo iluminado aos poucos com as rajadas dos tiros que acontecem na cena, tornando a cena visualmente bonita. Logo depois encontramos um momento assombroso de um cavalo em chamas resplandecendo e revelando o lado mais perturbado do filme.

Alexandre Desplat garante mais uma vez suas trilhas em uma projeção do Audiard. A trilha original do filme não é fácil de satisfazer por conta da sua melancolia e tons de suspense. Particularmente falando, agrada, mas o tema principal com um piano intimista é desperdiçado ao ser tocado somente nos créditos finais.

Audiard entrega em sua projeção uma mensagem que pessoas más podem mudar para melhor, e que a selvageria presente na América pode ser substituída por uma civilização com bons costumes. Um filme sobre laços de fraternidade que explora todos os pontos dá época que o longa é ambientalizado. “The Sisters Brothers” apresenta as hostilidades cruéis do mundo e a inocência perdendo espaço para maldade.


Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.