“Top Gun: Maverick”, de Joseph Kosinski é frenético ao ponto de ser um dos melhores blockbusters do ano

“Top Gun: Maverick”, de Joseph Kosinski é frenético ao ponto de ser um dos melhores blockbusters do ano

Existem filmes que precisam de continuações, filmes que não precisam e filmes que possuem uma legião de fãs que sempre pedem a continuação de um longa-metragem que gostou. Em 1986 o cineasta britânico Tony Scott nos agraciou com “Top Gun”, estrelado pelo ainda jovem Tom Cruise, dando vida ao aspirante Pete ‘Maverick’ Mitchell da Escola de Armas de Caças da Marinha, o longa foi o maior sucesso de bilheteria daquele ano. Dito isso já era de se imaginar uma continuação do projeto, porém, precisou de uma espera de 36 anos para sair um segundo filme. “Top Gun: Marverick“, de Joseph Kosinski chega para ser uma continuação eficiente, capaz de arrancar suspiros com sua ação frenética.

O enredo de “Top Gun: Maverick” é simples, mas eficiente. O governo dos EUA descobriu um local ilegal de urânio em algum lugar no mundo. A missão é destruir a base antes que ele esteja funcionando, mas a tarefa é tão difícil que até mesmo o piloto mais ousado reconhece. Maverick (Tom Cruise), é um dos últimos pilotos da sua geração e ele quer se manter na ativa, mas ele recebe um castigo após mais uma de suas façanhas imprudentes: ensinar uma nova geração de pilotos na academia onde aprendeu tudo. A carreira de Maverick está por um fio, mas ele tem um aliado ao seu lado: o velho amigo e condecorado Almirante da Marinha, Tom “Iceman” Kazansky (Val Kilmer), que está sempre acobertando os erros do velho companheiro. Os fantasmas do passado de Maverick também estão de volta, o vice-almirante “Cyclone” (Jon Hamm), Penny Benjamin (Jennifer Connelly) é uma antiga paixão mal resolvida, e o mais importante de todos, um dos pilotos estagiários, Bradley “Rooster” Bradshaw (Miles Teller), filho do falecido melhor amigo de Maverick, Nick “Goose” Bradshaw (Anthony Edwards do primeiro “Top Gun”). Maverick cometeu muitos erros e escolhas duvidosas com ele no passado, apesar das tentativas de reconciliação de Maverick, a relação entre aluno e professor é pesada.

Joseph Kosinski entrega para gente o seu melhor trabalho até aqui. O diretor de “Tron” (2010) e “Oblivion” (2013) entendeu perfeitamente a essência do primeiro “Top Gun” e nos colocou dentro de um caça em uma viagem rumo a um passado nostálgico para relembrarmos o gosto dos filmes de ação dos anos 80. Para ser sincero, particularmente falando nunca entendi a aclamação pelo o primeiro filme, mas “Top Gun: Maverick” consegue ser a continuação que não sabíamos que precisávamos ter. O longa possui uma energia eletrizante capaz de arrepiar devido o barulho dos aeronaves, graças a mixagem de som que a produção possui.

Ehren Kruger, Eric Warren Singer e Christopher McQuarrie são os roteiristas que desenvolvem uma história simples e eficaz. Boa parte do filme se divide entre a vivência dos alunos na academia e a vida pessoal de Maverick. Os momentos das aulas e dos treinamentos tomam boa parte de projeção e isso é muito bom, já que é o elemento que consegue nos deixar mais envolvido com a trama, a outra metade é o romance bobo entre o protagonista e Penny, porém, serve para nos fazer respirar após consumirmos um período longo de ação. Além disso, o roteiro levanta o seguinte questionamento que nos faz pensar um pouco mais adiante, “O futuro está chegando e você não está nele”, diz um determinado personagem sobre a substituição dos pilotos de jatos para os drones. Porém, se limita a isso, sem nenhum desenvolvimento a mais. É uma pena.

Enquanto sequencias de alguns filmes derrapam miseravelmente por tentarem forçar algo maior do que foi o primeiro filme, o “Top Gun”, de Kosinski é saudosista com a obra de Tony Scott. O filme se mantem contido como o primeiro, mas se aproveita do desenvolvimento da tecnologia para fazer uma projeção estilosa e mais grandiosa visualmente, capaz de nos encher os olhos, longe de ser revolucionário, mas também incapaz de ser repetitivo comparado a outros longas. Existem filmes que fazem você pular de alegria, rir, chorar e torcer pelos os personagens, pode ter certeza que esse aqui é um desses filmes.

Nomes como de Glen Powell, Monica Barbaro, Charles Parnell, Jay Ellis, Danny Ramirez e entre outros fazem parte do elenco de apoio e apresentam performances agradáveis. É um elenco inabalável como a sua estrela principal, Tom Cruise. É notável o quão estregue ele está a esse projeto e como tudo gira em torno dele. Se você está cansado da ideia do macho alfa implacável, talvez seja esse elemento que vai te fazer desgostar do filme. A todo instante Cruise só quer entregar um bom trabalho e as vezes ele é capaz de arriscar sua vida para ter o resultado perfeito e conseguir deixar o espectador surpreso com sua performance. Cruise se assemelha muito ao seu personagem, um profissional aplicado e obrigado a testar os limites de si mesmo, de sua profissão e de todas as situações em que se encontra.

Com um fotografia amarelada de Claudio Miranda, “Top Gun: Maverick”, é o grande blockbuster do ano que não insulta a inteligência de seu público e ignora explicações quando surge algum termo sobre aviação. Se o F14 é um jato lento, ele é simplesmente lento, o filme não vai dar aula do motivo dele ser devagar. O emocional dos personagens estão sempre a frente de qualquer coisa, e “Marverick” mostra que o piloto deve refletir sobre as várias decisões que tem que tomar. Um dos principais objetivo do protagonista é buscar o perdão, a subtrama de pai substituto é boa e convincente, já que o sentimento pelo o melhor amigo perdido se mantem vivo. Cruise mostra que não é só um ator de ação, mas que também consegue implementar uma carga dramática em suas atuações, afinal, ele tem alguns dramas na sua filmografia.

Em última análise, “Top Gun: Maverick” é um dos principais lançamentos do ano e uma surpresa muito grata para quem estava esperando ansiosamente por essa produção. O desenvolvimento do projeto foi conturbado por conta da pandemia da Covid-19, seu lançamento sofreu diversas mudanças de datas, mas agora está entre nós para disfrutarmos. Joseph Kosinski conseguiu nos entregar uma produção que não esperávamos nada, mas que propõe um entretenimento de qualidade. Podemos considerar que essa continuação encerra o ciclo desse projeto perfeitamente, se surgir um terceiro filme no futuro, vai ser por pura teimosia e ganancia.

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