“Venom: Tempo de Carnificina”, continua sendo uma incógnita cinematográfica, mas agrada seu fãs

“Venom: Tempo de Carnificina”, continua sendo uma incógnita cinematográfica, mas agrada seu fãs

O Venom sempre foi um vilão interessante do Homem-Aranha, talvez um dos adversários que mais trouxe dificuldades para o herói. Ele já teve aparições marcantes como na animação de 1994, onde no alto de um prédio ele quase revelou a identidade secreta do aranha. Sem falar em inúmeras presenças marcantes em gibis e até mesmo em jogos de videogame. A Sony Pictures, detentora dos direitos do universo do homem-aranha nunca soube trabalhar a imagem do personagem nos cinemas. Podemos lembrar dele na trilogia dirigida pelo o Sam Raimi, e no desastroso filme solo em 2018 comandado por Ruben Fleischer. Por incrível que pareça, estamos aqui para falar da sua continuação, agora dirigida pelo ator/diretor Andy Serkis, com muito mais coerência cinematográfica, mas onde manteve o padrão de qualidade do primeiro longa-metragem.

“Venom: Tempo de Carnificina” possui um enredo banal demais para ser descrito por completo. Basta dizer que tem a ver com Cletus Kasady (Woody Harrelson) condenado em uma prisão e preste para fazer uma revelação para Eddie Brock (Tom Hardy), que recentemente se redimiu em sua carreira de jornalista. Nesse meio tempo Kasady morde Brock, fica infectado e, eventualmente, se transforma no simbionte Carnificina, que é uma espécie de Venom mais evoluído e com 11 membros.

O que você precisa saber que dentro dessa continuação existe pequenas tramas dentro do filme do Serkis, no qual todas elas se resumem em vingança. Para ser mais direto, o Carnificina quer ser o único simbionte, Kasady quer se vingar de Eddie, e o detetive Mulligan (Stephen Graham), amigo do protagonista está sendo caçado por Shriek (Naomi Harris), interesse amoroso do antagonista principal. Além disso, toda essas batalhas acabam atingindo uma pessoa que Brock se importa, sua ex-noiva Anne Weying (Michelle Williams).

O que existe mais interessante no longa é a relação entre Eddie e Venom. Literalmente os dois vivem em um pé de guerra. Uma relação de amor e ódio. No mesmo momento que Eddie impõe regras para o monstro que habita seu corpo, o próprio pouco obedece essas regras estabelecidas e torna a vida do seu hospedeiro em um verdadeiro caos. Em certo momento os dois brigam feio e se separam por um tempo. Talvez seja aí o momento mais lúcido do filme, onde Venom frequenta uma balada LGBTQIA+ e faz um discurso analógico sobre viver fora do armário de Eddie e que ele tem que aceitar o Venom da maneira como ele é. Entretanto, outro discurso que o longa faz através da boca do seu personagem inusitado, é o de que dores sentimentais doem mais do que as dores físicas. Particularmente é uma surpresa positiva para uma produção como essa que não precisa ter pretensões sociais nenhuma, mas acabou tendo.

Tudo isso dura pouco tempo e não vai ser esses pequenos estilhaços de consciência social que vão tornar  “Tempo de Carnificina” em algo bom. Essa separação entre os personagens acabam se tornando um alívio visual para o espectador por conta do acumulo de CGI, através do anti herói  e do seu antagonista. Lógico que não teria como escapar desse excesso de CGI já que a produção se trata de duas amebas brigando entre si, como o próprio roteiro de Tom Hardy e Kelly Marcel retrata. Falando sobre esse duelo, não existe nada marcante nele. Ao saber que o Carnificina é vermelho, Venom se assusta e sabe que possivelmente eles vão perder essa batalha, sua reação ao se deparar com o inimigo aparenta que existe alguma hierarquia de força no universo dos simbiontes. Algo que poderia ser explicado, mas qualquer conceito apresentado é vazio e esse seria da mesmo forma.

Sabendo que filme de herói criou uma tendência de universo compartilhado, Serkis obrigatoriamente teve que amarrar seu longa nessa moda e acabou deixando algumas pontas soltas. Fica claro que esse Venom não faz parte do MCU que a Disney estabilizou. Dito isso, todos os vilões que apareceram não conhecem o Peter Parker vivido por Tom Holland, porém, algo que acontece na cena pós-credito pode animar quem vive e acompanha fervorosamente o MCU, entretanto, ao invés de responder algumas questões, essa cena abre novos questionamentos que provavelmente só irão ser respondidos em futuros filmes. Esse é o preço que se paga por ter um universo cinematográfico.

Devido esse acontecimento da cena pós-credito, fortifica minha confirmação de que tudo criado no dois filmes dedicados ao Venom são descartáveis. Que é um tremendo desperdício de elenco, já que temos nomes de pesos como Tom Hardy, Woody Harrelson que poderia ser um vilão bem mais interessante dentro do MCU, e o desaproveitamento maior fica por conta da Michelle Williams, como uma película dessa tem uma atriz que já esteve envolvida em tantos projetos grandes não aproveita ela de outra maneira? apesar que a personagem dela acaba se tornando a chave para a reabilitação entre Venom e Brock.

Em última análise, “Tempo de Carnificina” é só mais um no meio desses tantos filmes de heróis esquecíveis que assistimos de tempos para cá. Existem filmes que marcam, que fazem sentidos a sua existência e até mesmo a persistência como é o caso do Homem-Aranha, que está na sua terceira versão nos cinemas e que vai reunir todos que já existiram em um único filme. Por outro lado estamos vendo uma insistência sem qualidade mas que a Sony ver dando lucro para os seus cofres. Podemos dizer enquanto existir público esteja bancando esse projeto, nós vamos assistir mais alguns filmes solos do Venom, mas espero que os próximos nos entreguem algo melhor.

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