“Zumbilândia: Atire Duas Vezes”: Sequência dirigida por Ruben Fleischer mantém essência, mas não encanta

Em 2009 o subgênero de zumbi estava longe de ser algo profundamente explorado, sendo que a maioria dos filmes que eram lançados já tinham uma certa semelhança no qual alguns deles pareciam não abordar mais a temática principal do gênero. Na época, a primeira versão de “Zumbilândia” surgiu trazendo um frescor com uma narrativa mais cômica. Com um resultado positivo, imaginava-se uma sequência em pequeno prazo, mas precisou de dez anos para que Ruben Fleischer voltasse a dirigir uma continuidade intitulada como “Zumbilândia: Atire Duas Vezes“.

O filme começa com os tradicionais personagens da primeira versão conquistando a Casa Branca. Eles vivem uma vida tranquila e até monótona diante de um apocalipse zumbi. Perante essa monotonia, a relação entre alguns do grupo acaba se desgastando, como o relacionamento amoroso entre Columbus (Jesse Eisenberg) e Wichita (Emma Stone) e o descontentamento de Little Rock (Abigail Breslin) com Tallahassee (Woody Harrelson) por ainda enxergar ela como uma criança indefesa. 

Partindo desse pressuposto de grupo rachado, o roteiro faz a equipe se dividir para que surja uma nova aventura nesse universo. Inicialmente, para os membros que abandonam o lar, tudo funciona como planejado, mas com o tempo Little Rock pega a estrada com um hippie chamado Berkeley (Avan Jogia), fazendo com que ela se separe de sua irmã. Já Wichita retorna ao antigo lar para pegar armas e contar com a ajuda de Tallahassee e Columbus para encontrar sua irmã mais nova. Entretanto, ao retornar, o que ela encontra Madison, uma pessoa com raciocínio lento e divertidamente interpretada por Zoey Deutch.

O que encontramos no filme de Ruben Fleischer são muitas repetições, algo que se assemelha até com a primeira produção, como o ódio de Tallahassee por minivans ou então as regras de Columbus para matar os zumbis. Porém, isso não quer dizer que “Atire Duas Vezes” não tenta inovar. Como já dito, Madison é uma fonte de piadas constantes, o mesmo podendo ser dito para as breves aparições de Luke Wilson e Thomas Middleditch como sósias perfeitos (olha “Nós“, de Jordan Peele fazendo escola) dos personagens de Eisenberg e Harrelson.

Além disso, a melhor sequência de ação do filme envolve os quatro atores. O cineasta consegue que os atores entreguem uma performance que mistura luta com um humor corporal, isso tudo diante de um plano com poucos cortes. Méritos para Woody Harrelson, que é um ator que encarna perfeitamente qualquer papel, seja um bobão atrapalhado ou um vilão amedrontador.

O longa-metragem em geral é uma piada atrás da outra, umas funcionam muito bem, como a tiração de sarro com The Walking Dead, e as piadas com Elvis Presley, que introduzem Rosario Dawson, como Nevada. Outra característica que o filme de Fleischer promete fazer é a introdução de uma nova raça de infectados, que é mais rápido, resistente e difícil de morrer, mas no final das contas acaba sendo apenas um zumbi como qualquer outro. 

Dito isso, a produção de Fleischer não possui uma grande ameaça que faça quem está assistindo sentir alguma preocupação com os protogonistas. As especies de zumbis são dividas conformes suas características, mas só notamos elas no começo da projeção quando de fato estão sendo explicadas cada uma delas. 

Mesmo sendo tão genérico, verdade seja dita, “Zumbilândia: Atire Duas Vezes” é a melhor produção de zumbi desse ano, já que “Os Mortos Não Morrem“, de Jim Jarmusch falha miseravelmente tentando trazer também uma linguagem mais cômica para o subgênero e ainda comete o erro de desperdiçar um elenco formado por nomes como: Adam Driver, Tilda Swinton, Selena Gomez e até mesmo Bill Murray, que também aparece de forma engraçada em “Atire Duas Vezes”.

Infelizmente, Ruben Fleischer ficou numa zona de conforto, desperdiçando a oportunidade de ousar mais com sua direção. O problema de “Zumbilândia: Atire Duas Vezes” foi ter que esperar dez anos para ganhar uma sequência e no final fazer o mais do mesmo. Dez anos atrás, o que o filme prometia, era uma novidade, hoje nem tanto.


Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.

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